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22/05/2020 | Juliana Cunha

Ronda da semana: novo normal e o valor de sentir-se bem

Tudo Lifestyle História

Amo ler às segundas-feiras o horóscopo do The Cut, editado pela Madame Clairevoyant (Claire Comstock-Gay). É sempre leve e divertido. Eu, pessoalmente, adoro horóscopo: leio esse, leio mensalmente as previsões de Susan Miller, as pílulas na Ilustrada da Folha de S.Paulo, as notificações do app Co-star. Adorei quando, semana passada, o The Cut publicou um trecho do livro dela falando sobre o quão irrelevante é a falta de validade científica da astrologia, porque tudo que queremos é algum tipo de conforto ou ferramenta de autoconhecimento. 

A autora diz que é uma área que funciona menos como “ferramenta para decifrar presságios e maldições ou prever nossas vidas e mortes predestinadas” e mais “como um espelho para o nosso mundo interior. Em um mundo com tecnologia de satélite de ponta e medicina de ponta, a astrologia ainda oferece algo que a ciência não pode (apesar de tentar): um sistema afiado, sábio e matizado para entendermos a nós mesmos, nossas vidas bagunçadas e nossos sentimentos misteriosos e confusos”.

“Tentar determinar a precisão ou relevância da astrologia com um experimento científico parece quase tão inútil quanto um experimento para determinar a precisão da voz de Aretha Franking, ou a exatidão dos poemas de amor de Pablo Neruda, ou a validade científica das performances conceituais de Yoko Ono. É possível interpretar e criticar todas essas coisas; é possível amá-las ou odiá-las, é possível que elas é possível que elas apareçam, decaiam e desapareçam da nossa consciência cultural, mas a ciência não pode dizer se eles estão 'certos' ou não. A astrologia não te conhece melhor do que você, mas ela pode abrir a porta para as salas mais desafiadoras do seu coração”, escreve Comstock-Gay. E eu assino embaixo: para que tentar validar algo que não se propõe a ser preciso? A ideia é muito mais oferecer recursos de autocompreensão e conhecimento. E isso, principalmente nesse momento de introspecção, não deve ser invalidado.

Paraíso para uns, pesadelo para outros

Vi no Chicas e Dicas (newsletter super gracinha e cheia de conteúdo que adoro) essa matéria falando sobre os motivos pelos quais algumas pessoas têm considerado um desafio ler um livro nesse período. A colunista Constance Grady entrevistou o neurocientista e psicólogo Oliver J. Robinson para entender melhor. Segundo ele, a incerteza e imprevisibilidade da pandemia causam ansiedade, e a ansiedade afeta a concentração, recurso tão necessário para o momento de leitura.

Livrarias em crise

Rogério de Campos, diretor da editora Veneta (responsável pela coleção Baderna, por exemplo), escreveu à Quatro cinco um sobre como a falência e consequente desaparecimento de grandes redes de livrarias de prestígio em território nacional (leia-se Saraiva, Livraria Cultura e Fnac) significam uma “perda substancial da bibliodiversidade”. Segundo ele, esse movimento “não provocará o ressurgimento imediato das tantas pequenas livrarias que desapareceram por causa delas, ainda mais em meio à crise atual.  A ausência agora dessas grandes livrarias de rede significará apenas isso: sua ausência." Ele acredita que a situação é trágica, já que regiões podem simplesmente ficar sem livrarias, o que prejudicaria não só o consumo de livros pela população (além de deixá-lo à mercê de lojas ainda mais gigantes), como os trabalhadores e editoras que se alicerçam a partir dessa comercialização.

Testar produtos de beleza na nova era

Quando na dúvida sobre a cor de uma base, a dica que sempre ouvir foi de ir à loja e testar na pele para saber: só assim para garantir Impensável no quanto isso não faz mais sentido, principalmente com lojas fechadas. E agora? Procurar reviews na internet + usar ferramentas digitais de teste de cor: será esse o combo para determinar que tom se adequa à sua pele? A jornalista de beleza Vânia Goy escreveu sobre isso em um post no seu site, abordando medidas que já estão em voga, como quantidade de testers limitada e embalagens individuais de ferramentas descartáveis. 

Sobre sentir-se sexy 

Harling Ross, editora do Man Repeller, escreveu esse post 100% identificável sobre a saudade de se sentir sexy. De escolher um look incrível com sua calça jeans preferida no sábado à noite; de se maquiar; de dançar se sentindo o máximo; de sentir olhares num bar e tantas outras sensações que fazem parte da autoestima de muitas mulheres na vida que tínhamos até algumas semanas atrás. Agora, nessa vida de legging e moletom, em que delineador é o tipo de palavra que nem faz sentido, que salto alto está banido, que bar parece uma realidade distante no espaço-tempo, dá saudade das coisas mais banais. “Quanto mais eu penso sobre isso, me convenço de que ser sexy encapsula a joie de vivre da existência humana, e cara, que saudade”, finaliza ela. 

Vogue de junho

 
 
 
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Depois da polêmica com a capa de maio, que trazia Gisele Bündchen trajando Prada com os dizeres “novo normal”, a Vogue anunciou mais cedo sua capa do próximo mês. Inspirada no álbum "Paratodos", de Chico Buarque (com permissão de Chico e arte de Gringo Cardia, diretor de arte de ambas os designs), traz profissionais fundamentais da moda nacional. Houve também outras capas digitais, todas compiladas no interior da revista. O composé traz costureiras, modelo, modelista, fotógrafo, estilista, ourives, agricultor, camareira e maquiador, e diz que todos são “parte fundamental para a existência e potência do mercado”. E frisa: reerguer a moda nacional é uma tarefa de todos nós.

Falando em “novo normal”

Em coluna na Gama Revista, a historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz fala sobre os esforços contínuos da sociedade em época de crise para preservar a normalidade, mas questiona: “Qual seria o nosso coeficiente de ‘normalidade’? E qual a régua que mede e distingue o que é ‘normal’ do que é ‘anormal’, ou, ainda, um ‘novo normal’?”. Em uma história pautada pelo lado ocidental do mundo, “o conceito de ‘novo normal’ também parte e tem como patamar silencioso, o conceito romântico e idealizado de lar, que faz todo sentido para um determinado grupo social.

Não seja dura com seu corpo: está tudo bem se ele mudar 

Uma das editoras do The Every Girl, a Beth Gillette, falou nesse texto sobre a forma como está lidando com seu corpo durante a quarentena. Ela disse que se sente culpada por estar preocupada com isso quando estamos no meio de uma situação tão grave, mas não consegue evitar se sentir um fracasso pelas transformações que seu corpo está sofrendo com a nova rotina. “Estamos nos fazendo um grande desserviço ao focar em como nossos corpos estão mudando em vez de pensar no que acontece com a nossa mente. Se o pior que me acontecer depois de uma pandemia for comprar novas calças jeans, eu ganhei na loteria. Quando parece difícil cuidar do meu corpo, sei que posso focar em cuidar da minha mente no lugar”, conclui ela. Vale a pena ler a reflexão completa.

O seu corpo mudou de que jeito desde que tudo isso começou? Pessoalmente, engordei no começo e só começo a voltar ao meu peso regular agora. Mas me faz muita falta andar, mesmo fazendo exercícios funcionais dentro de casa: para o corpo e, claro, para a alma: o tipo de coisa que mais dá saudade. Beijos e até semana que vem.

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