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15/05/2020 | Juliana Cunha

Ronda da semana: novas e antigas sensações

Tudo Lifestyle História

Uma pouco de choque de realidade, outro tanto de ternura: esta semana, me dividi entre ficar bastante angustiada com a quantidade de coisas acontecendo e ter algum tipo de acalento em coisas pequenas. Ouvi muito mais ambulâncias do que de costume passando perto de casa, e para cada uma pensei: é o pai, a mãe, o filho, o amigo de alguém. As medidas endureceram em São Paulo com o rodízio (em dias pares, circulam somente carros com placas de final par; em dias ímpares, rodam carros com placas de final ímpar) e a obrigatoriedade de usar máscaras para sair na rua. Parece tão estranho quando, no caminho de 300 metros até o supermercado, vejo tantos carros e pessoas sem máscara, que parecem ignorar nossa nova realidade. Também pensei bastante sobre isso: não temos como nos apegar em uma previsão de fim, então resta nos acostumarmos ao que passou a ser a regra.

Ao mesmo tempo, prestei mais atenção nas conversas dos vizinhos que consigo ouvir; no estalo ao abrir uma lata de cerveja em plena segunda-feira; no cheiro de pipoca que me fez colocar a minha própria para estourar; nas músicas que se ouve na vizinhança durante o expediente em casa; no som de um carro que passava cheio de imagens religiosas perto da igreja mais próxima, o que deve ter acalmado muitos corações inquietos; no presente de Dia das Mães chegando atrasado para a minha e tantas outras mães; nas sensações provocadas pelo shakshuka que fiz em casa - cores, texturas, toques, cheiros: todos são formas das pessoas se fazerem presentes, se permitirem algum tipo de afago, de tranquilidade, de calmaria.

Esta semana, a ronda tem muito a ver com tudo isso e nada disso: essa divisão incalculada de coisas boas que percebemos e ruins que vêm à tona quando estamos em momentos relativamente bons. Espero que você encontre algum tipo de acolhimento por aí também - ou realidade, se estiver precisando se conscientizar do que temos como existência por agora.

Relatos de farmácia

Esse jornalista contou na Piauí uma semana em sua vida trabalhando em uma farmácia, lidando com pessoas, fazendo entregas, recebendo pedidos, vendo diariamente a humanidade e a falta dela em um bairro nobre do Rio de Janeiro. Ele relata também parte de sua vida, rotina, família e história. Extremamente sensível e necessário para revermos nossa relação com nossos privilégios.

Reflexões para o futuro

 

 

 

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A influencer Lu Ferreira convidou amigos e pessoas de sua rede para eles dividirem relatos honestos sobre trabalho, família, maternidade e paternidade, emoções, exercício, cozinhar e toda a montanha russa que é lidar com as emoções e a solidão em meio ao isolamento. Vi no The Lolla e achei tão sincero que vale o compartilhamento.

Começar um novo relacionamento no meio da pandemia: já pensou?

Esse relato de uma jornalista no Refinery 29 descreve essa situação: ela se apaixonou e começou a namorar no meio do isolamento, sem nunca ter nem beijado o atual namorado. Sei que parece um tanto quanto impensável e impraticável, mas achei interessante ver o que a motivou a firmar esse compromisso: um namoro sem toque, imagine você. Isso provocou uma conexão que ela nunca tinha tido com alguém antes, ela conta. Fala sobre a importância disso, do toque, da expectativa, do medo de frustrar-se, enfim. Vale a leitura.

As novas compras online 

 

 
 
 
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Cadeira de escritório, pijama, quebra-cabeças, aspirador, pesinhos: o Nexo reuniu termos cuja procura no Google no início de maio aumentou em mais de 50% em relação ao mesmo período no ano passado. Eles refletem 100% as mudanças que fizemos em nossas rotinas, né? 

Que prato você cozinharia num primeiro encontro?

Esse texto fofo fala sobre o que cozinhar em um primeiro encontro: nada elaborado demais, mas que tenha um toque seu. O autor conta o menu super extenso e traballhoso que fez em um primeiro encontro há anos, e como foi aprendendo, conforme foi se sentindo mais confortável de ser quem era, que não precisava provar seu valor por meio da culinária: afinal, a outra pessoa está ali para ter um encontro com você, não com a comida. Ele resume: faça um prato fácil, como uma massa, para o principal. Compre a sobremesa, monte uma salada de entrada, enfim, facilite para sobrar tempo de sobra para fazer outra coisa além de lavar a louça. 

Como é passar pela pandemia estando na Suécia

A Suécia foi um dos únicos países do mundo a adotar a imunidade de rebanho, ou seja, não há medidas restritivas ou obrigatórias de isolamento, e a população continua circulando normalmente. A ideia é que as pessoas se contaminem e criem anticorpos contra o vírus. Estratégia criticada por muitos a nível internacionalmente, o país se mantém à base de recomendações: lavar as mãos, evitar proximidade, não ir a festas nem viajar. A jornalista sueca Caisa Ederyd contou à Vice sobre o sentimento geral: as pessoas concordam e tudo parece normal, mesmo não estando. Crianças vão à escola, pessoas vão a restaurantes, mas em geral visitas a parentes foram banidas do convívio social. “Há um sentimento geral de confiança entre o estado sueco e o público”, resume ela. Mas será que se pode contar com algo tão sutil quando o bom senso durante uma pandemia de proporções globais?

Mudanças no calendário da moda internacional

Um grupo de estilistas liderado pelo belga Dries Van Noten (à frente de marca homônima) criou um movimento para questionar a indústria da moda e reformular todo o calendário de lançamentos de coleções e liquidações. A proposta é ajustar a chegada das coleções às lojas para por fim à época de sale. Isso, claro, de acordo com as estações do hemisfério norte, o que significaria que as coleções de outono/inverno ficariam à venda entre agosto e janeiro, e as de primavera/verão estariam nas lojas de fevereiro a julho. Assim, promoções ficariam restritas aos fins de temporada (janeiro e julho). Atualmente, o sistema funciona assim: vemos as novidades programadas para o verão durante a época de inverno e vice-versa. “Não é normal comprar roupas de inverno em maio [quando o hemisfério norte está na primavera, se preparando para o verão]. Não faz sentido para mim”, disse Van Noten. A proposta teve assinaturas de lojas como Selfridges, Nordstrom e My Theresa. A versão completa da carta está aqui

O cansaço dos encontros virtuais

Vi vários memes essa semana falando que as pessoas têm saudades dos amigos, mas não querem vê-los via videochamada. O National Geographic descreveu isso há cerca de três semanas como A fatiga do Zoom, afirmando que interações virtuais podem exigir um grande esforço do cérebro. Como uma ligação por vídeo impede outras comunicações não-verbais (olhar, posicionamento do corpo, ritmo respiratório), nossa atenção fica inteiramente focada nas palavras proferidas, e isso realmente pode drenar energias. Imagine, então, quando a qualidade do vídeo é ruim. E quando são múltiplos interlocutores? É um desafio para a visão, porque é necessário decodificar a presença de rantas pessoas que não é possível ler nenhuma delas com clareza. Em conversas ao vivo, é possível que um grupo tenha diversas conversas paralelas. Já na chamada por vídeo, isso fica impossível porque o som é o mesmo: outro motivo que explica o cansaço ao qual somos submetidos nesses momentos. No fim, tem dicas para tentar driblar esses efeitos: clique aqui para ler. E se me permite sugerir, enviar um bolo quentinho de um pequeno fornecedor, ou uma vela cheirosa para alguém que você ama, ou pedir uma refeição e deixá-la para o entregador, são pequenas gentilezas que oferecem um pouco de afeto e tranquilizam o coração. Que tal experimentar fazer algo assim por alguém esta semana? Se fizer mesmo, me conta semana que vem? Até lá. Beijos e bom fim de semana. 

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