X

Tudo o que você mais ama

Assine para receber muitas novidades,
promos, dicas e achados do fantástico
universo online. E claro,
tudo isso com muita inspiração.

29/05/2020 | Juliana Cunha

Ronda da semana: estruturas, alternativas e pausas

Tudo Lifestyle História

Antes de começar com a ronda em si, queria te sugerir uma coisa: leia esse texto ouvindo ao álbum Pausa, do 5 a Seco. Por acaso, é meu grupo musical preferido há anos. Desde 2015, vou a um ou dois shows todos os anos com uma amiga. É nossa tradição musical que, provavelmente, não cumpriremos este ano. Até por que a banda fez uma pausa, anunciada no ano passado. Junto a isso, a banda lançou esse disco chamado Pausa. Engraçado que ele demorou a me chamar a atenção. Para mim, os álbuns deles sempre tinham o mix ideal entre músicas calminhas e mais animadas, mas este me pareceu tão parado que não consegui me conectar. Eis que agora, trabalhando em casa, resolvi dar uma segunda chance. Resultado: estou ouvindo sem parar. Para cozinhar, para fazer uma atividade mais mecânica como agendar um post, cortar fotos, ler os e-mails, enfim. Espero que por aí, você se conecte também. 

A volta da Elle

Na segunda-feira, 25, as redes sociais anunciaram que está no ar o site da Elle, revista francesa que chegou ao Brasil em 1988 e cuja edição pela editora Abril acabou 30 anos depois, em 2018. Este ano, foi anunciado que ela voltaria em novo formato e editada pelo Grupo Papaki, e até agora estávamos na expectativa. Com o lançamento, soubemos de podcast semanal, pautas colaborativas feitas com o público da revista - como o projeto Open Casting - e muitas reflexões pertinentes sobre a intersecção entre moda e sociedade. 

Queria destacar um texto da escritora, poeta e cordelista Jarid Arraes falando sobre os pensamentos que a quarentena evocaram nela. Na contramão da produtividade e da ansiedade pela volta, da expectativa pelo que vamos vir a viver, ela suspirou e resolveu: “A única coisa que adianta é não me sufocar com o impulso de adiantar a vida.” A partir daí, perdoou-se por não ser a isolada ideal que tricota, faz exercício e escreve um novo romance. “Sou compreensiva com minha raiva; é normal que ela exista, porque ela nasce da angústia e do medo. É natural ter medo. Faz parte não querer ou não conseguir adquirir novos talentos e cozinhar pratos saudáveis”, escreve ela. Que possamos também respeitar nossa necessidade de pausa.

Aqui, escolhi também uma foto de Bob Wolfenson para a Neriage, na série de ensaios que fez dialogarem 22 fotógrafos com 22 marcas brasileiras. Ficou de tirar o fôlego! 

A estrutura racista dos Estados Unidos

Não dá para não falar sobre isso: esta semana, dois casos de racismo escancararam a estrutura preconceituosa dos Estados Unidos. O primeiro, de Amy Cooper, mulher branca que acusou um homem negro de ameaçá-la sem qualquer evidência. Na segunda-feira (25), ela andava pelo Central Park (Nova York) com seu cachorro, sem coleira, em área onde é proibido passear com animais soltos. Christian Cooper, que estava no mesmo local, questionou a mulher quanto à ausência de coleiras, e ela ligou para a polícia afirmando estar sendo ameaçada por Christian Cooper, o homem em questão. 

Ele a gravou por considerar importante ter o caso documentado. “Infelizmente, vivemos em uma era em que homens negros são vistos como alvos. Essa mulher pensou que poderia explorar essa situação a seu favor, mas eu não tolerei isso”, disse ele à CNN. O prefeito da cidade, Bill de Blasio, condenou a atitude da mulher. “Ela chamou a polícia PORQUE ele era um homem negro. Mesmo sendo ela a pessoa quebrando as regras. Ela decidiu que ele era o criminoso e sabemos o motivo. Esse tipo de ódio não tem lugar em nossa cidade”, publicou ele no Twitter. 

O caso chegou à empresa onde Amy trabalhava, a Franklin Templeton. “Nós não toleramos racismo em forma nenhuma”, disse a empresa ao encerrar o contrato de trabalho com a profissional. Como declara esse texto do The Cut, Amy cumpriu seu papel ao perpetuar uma estrutura racista da qual se privilegia: “Fazer a vítima quando sente que uma pessoa negra está invadindo ‘seu’ espaço — em um parque, vizinhança, holofote — de maneira pretensiosa e certa de que as coisas vão funcionar para ela por privilégio.”

Outro caso emblemático, o de um homem negro de 46 anos, que sufocou após ter sido imobilizado no chão por um policial, viralizou e gerou protestos em Minneapolis, Minnesota, onde ocorreu, mas também mundo afora. Os vídeos são um retrato fiel da violência policial: George Floyd aparece no chão, imobilizado, enquanto um agente pressiona seu pescoço com o joelho. Ele clama: “Por favor, eu não consigo respirar, por favor”. Saiba mais aqui

Para quem você se veste?

 
 
 
View this post on Instagram
 
 
 

A post shared by Leandra (Medine) Cohen (@leandramcohen) on

Em outra ronda, trouxe um debate entre a fundadora do Man Repeller, Leandra Medine, e a editora Harling Ross. Esta semana, elas dialogaram sobre quanto o ato de se vestir está condicionado à interação social. Para Harling, que adotou o loungewear como vestimenta oficial, “estilo é um conceito que implica uma transação. Só existe quando é percebido.” Já Leandra, que está montando looks para além do moletom, legging e pijama, estilo pessoal é mais do que ser visto por outras pessoas por envolver a sua percepção pessoal. Claro, há a influência de outra pessoa ver, mas para Leandra tem mais a ver com o prazer pessoal de vestir algo que a agrade. Harling fala também sobre exercitar seu gosto pessoal em outras searas para além da moda, e praticar o senso estético na comida e na decoração: “gosto é uma expressão de beleza”, resumem. 

Sobre home office

Foi em 2003 que o Skype surgiu e, com ele, uma promessa de revolução: para que viajar ou ir ao trabalho se podíamos interagir via vídeo, sem deslocamento, sem pressa, sem pressão: horários mais flexíveis, buscar as crianças, jantar em casa e não na rua? O modelo logo mostrou não ser tão eficiente. Parece que, afinal, o contato humano ainda faz toda a diferença para selar, manter e encerrar negócios. Com a falta de clareza de quando isso voltará a ser totalmente possível, a New Yorker fez esta matéria falando sobre por que trabalhar em casa é tão difícil - e como podemos nos adaptar a isso. Das reuniões presenciais à pausa para o cafezinho (e muito mais: o bom dia no elevador, a ida à farmácia na hora do almoço, o feedback falado do chefe), parece que todas as interações envolvidas em ir ao local de trabalho são essenciais para manter a produtividade. As dicas? Organização, estruturas sólidas, diálogo e paciência. Leia a matéria completa aqui

Ainda sobre previsões do trabalho em casa

Essa matéria do The Atlantic traça uma previsão realista: toda a cultura corporativa que faz tanta falta ao trabalhar de casa provavelmente será seriamente revista. Além dos móveis adequados, da separação mental entre trabalho e todo o resto da sua vida, da motivação diária para se vestir e sair de casa, o ato de ir trabalhar envolve, principalmente, a convivência. “Qualquer retorno ao trabalho antes da disponibilidade de uma vacina significará distanciamento entre os funcionários, possivelmente mascarados. Muitos escritórios trabalharão com ocupação reduzida”, pondera. Protocolos de higiene e limpeza extremamente restritivos parecem custosos em termos de tempo e dinheiro, então parece pouco provável que tenhamos a cultura do trabalho como a conhecemos assim que tudo reabrir.

Para variar no delivery

Essa matéria da Vogue dá sugestões de cozinheiros independentes para variar no delivery. Do casal do Jantar Secreto (lembro que falei da minha ansiedade de ir a um jantar deles na última ronda antes do isolamento, aqui) aos chefs to Apptite, é uma reunião de boas pedidas alternativas aos seus mais frequentes do iFood. 

Ainda na onda alternativa

Segue um fato: precisamos ajudar os pequenos produtores. Para o mundo dos vinhos, boas alternativas foram listadas aqui, em coluna na Marie Claire. São produtores nacionais que fazem produtos que não se vê em prateleiras - seja de supermercado, seja de e-commerce.

Que dia é hoje mesmo?

Se você (ainda) não se fez essa pergunta, duvido que não tenha visto alguma piada sobre o fato de estarmos tão perdidos no tempo. Se uns têm uma visão niilista do tempo, outros buscam poetizá-lo (no livro que estou lendo, o narrador diz que “o tempo é o maior tesouro de que um homem pode dispor”), mas a Vox foi por um caminho mais pragmático: todos os dias, esse link é editado com a data atual. Não podemos deixar de perceber o tempo: quando o sol se põe ou nasce, quando sentimos fome, quando os alimentos estragam, enfim. Ao mesmo tempo, ele é arbitrário e produzido, e será que essa criação faz sentido agora? É isso que se questiona a autora. Enquanto não tivermos nenhuma mudança, consulte o link para se reassegurar da data, mesmo que pareça duvidoso. Caso você esteja lendo esse texto no dia em que foi publicado, hoje é sexta-feira, o que significa que abrirei mais uma garrafa de vinho, farei um risoto e lerei um livro. E por aí, qual o ritual do #sextou? Beijos e até semana que vem. 

Em destaque

assine nossa newsletter

Voltar ao topo Voltar ao topo