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01/09/2020 | Juliana Cunha

Museu do Isolamento Brasileiro: para tornar a arte rotineira

Tudo Lifestyle História

Sentir falta é mesmo um sentimento universal, mas só uma língua teve a proeza de traduzi-lo em um único termo, uma amálgama do conforto de poder falar dele e do incômodo por senti-lo. Saudade é das palavras mais brasileiras, que remonta ao afeto e à proximidade, mas também à distância. Um pouco como a arte, que tem a capacidade de acolher e provocar, que dubiamente evoca sentimentos instigantes, que transitam do pertencimento à negação. 

Arte de Marcela Amaral

Não à toa, a ideia de saudade é uma das que aparece com mais frequência no Instagram do Museu do Isolamento Brasileiro, projeto que reúne uma seleção de obras produzidas por artistas brasileiros durante o distanciamento social: não necessariamente elas abordam a pandemia e suas nuances, mas estão sempre relacionadas aos sentimentos que o período evocou em criadores. São telas, colagens, instalações (compartilhadas em fotos), fotografias, ilustrações, vídeos, objetos, bordados e assim por diante, todos disponíveis ao público no perfil criado pela relações-públicas Luiza Adas.

Recalculando a rota

“Desde pequena, sou  apaixonada pelo universo das artes e me envolvo com ele”, lembra ela. Foi em 2016 que ela criou o Instagram FlorindoLinhas, inicialmente destinado à divulgação de desenhos, pinturas e artes que ela fazia e vendia informalmente. “No terceiro ano da faculdade, ao longo de 2017, tive a oportunidade de morar em Boston (Estados Unidos). Lá, eu morava na frente ao Museum of Fine Arts Boston, e sinto que isso foi um divisor de águas na minha vida. Passei a frequentar o Fine Arts todas às quartas feiras (dia em que a entrada era de graça)”, divide Luiza. 

Foi então que ela soube que, quanto mais acessível é a informação sobre esse tipo de linguagem, maior é o interesse das pessoas de se envolver com essa seara. No fim de 2018, de volta ao Brasil, Luiza decidiu “redirecionar o FlorindoLinhas e tirar do papel a ideia de criar uma plataforma/página que ajudasse as pessoas a interagir e entender arte de maneira fácil e descomplicada.” Desde então, ela pensa na página como uma “forma de mediação entre as pessoas e as artes.”

Esse propósito ganhou novo respiro durante a quarentena. Foi quando, interagindo com os seguidores da página, a relações-públicas se deu conta: “Mais do que divulgações de programações culturais online, as pessoas precisavam de um espaço em que pudessem ver e compartilhar artes.” A partir daí, criou um museu online, o Museu do Isolamento Brasileiro. “A arte tem a capacidade de nos abraçar e causar desconforto ao mesmo tempo. Em momentos em que não podemos ir lá fora, ver o mundo e interagir com as pessoas, ela pode nos ajudar a refletir e entender questões internas e externas”, pondera a fundadora da galeria. Ela também considera que ver trabalhos artísticos no feed do Instagram ajuda a inserir esse tipo de conteúdo na rotina das pessoas, “tornando a arte mais íntima e rotineira. Achamos que a arte está só nos museus, nas galerias e nos ateliers, mas ela está nas nossas escolhas.” 

As particularidades do Museu 

A seleção do material apresentado aos seguidores da conta se baseia em uma compreensão daquilo que está em pauta na sociedade, assim como dos sentimentos que prevalecem para ambos artistas e público, sempre com mescla de linguagens, assuntos e técnicas para tornar o museu mais diverso e rico. Em comum, há o fato de todas as obras serem “expressões e percepções brasileiras a respeito do mundo que nos permeia”, segundo a fundadora. 

Para levar esses pontos de vista além do Instagram, Luiza quer aprofundar o tipo de relação que se pode desenvolver com as obras por meio de um canal de entrevistas com os produtores das mesmas. “Queremos também expandir o Museu do Isolamento para os meios offline, apresentando essas obras para as pessoas de forma física, em exposições, museus e espaços culturais”, acrescenta ela. 

Arte de Gabriel Portela

Mas isso não significa interromper a veiculação via Instagram, plataforma onde acumula mais de 90 mil seguidores: “Acredito que as experiências físicas não anulam as experiências online e jamais as experiências online vão substituir as experiências físicas.” O importante é manter a proliferação da arte, que se torna ainda mais necessária em momentos atípicos para que possamos “discutir, entender e questionar aspectos importantes da nossa sociedade e de nossa individualidade”, como aponta Luiza.

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