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29/03/2019 | Isadora Diógenes

#MulheresCriativas: Conheça o trabalho da fotógrafa Camila Cornelsen

Tudo Lifestyle História

 “Qual é o app?”. Talvez essa seja uma das frases mais ouvidas - e lidas - pela diretora de fotografia Camila Cornelsen. A curitibana, radicada em São Paulo, foi uma das primeiras a entender a importância de produzir um conteúdo em vertical e popularizou os Gifs 3D. Graças a esse olhar pioneiro, a musa do audiovisual faturou alguns bons dígitos vendendo esse tipo de material, focando no Stories do Instagram, para marcas conceituadas como Nike, Apple e Avon.

Basta uma zapeada rápida pelo seu portfólio online para perceber que a Camila também tem uma ligação bem forte com a música. Além de já ter dirigido clipes de músicos incríveis - Karol Conka, Baco Exu do Blues e Duda Beat são apenas alguns dos nomes -, ela também já foi vocalista do Copacabana Club, banda curitibana que se apresentou em diversos palcos brasileiros e internacionais. Ufa!

Depois dessa breve apresentação, o que podemos adiantar é que, hoje, a identidade da Camila é única. Os Gifs e vídeos com colagens e sobreposições, muitos feitos exclusivamente com uma super combinação de aplicativos, são só uma pequena parte disso, e você pode descobrir mais sobre ela na entrevista que fizemos abaixo:

iLovee: Camila, vamos começar do começo. Como foi o seu start na área do audiovisual? Inclusive, a sua primeira formação é bem diferente da área que atua hoje, né?

Camila: Eu me formei em engenharia civil, mas com pai fotógrafo sempre tive por perto das câmeras, filmes e laboratório. Oficialmente, como profissão, comecei a trabalhar com fotografia still em 2005. A direção de fotografia em cinema e publicidade só surgiu em 2012 pra mim.

iLovee: Seu estilo é bem definido e conhecido pelas colagens, e já ouvimos que isso tem muito a ver com a influência dos seus pais… Fala mais sobre isso.

Camila: Eu demorei pra perceber o quanto as colagens da minha mãe me influenciaram. Foi em uma visita a casa dos meus pais que achei um álbum antigo e revi tudo o que ela misturava: desenhos, recortes de revista, fotos. Algo que eu comecei a fazer instintivamente com vídeo e fotografia.

iLovee: Hoje, você atua com fotografia, direção de arte, criação de conteúdo para redes sociais e já teve - ou podemos dizer que ainda tem? - os dois pés na música. Como é administrar tanta referência para dar conta de tudo? Existe aquele momento que bate uma crise criativa? Se sim, como você costuma lidar?

Camila: Não penso muito de onde vêm as referências e pra onde exatamente elas vão. Acho que por ser muito influenciada por música, cinema e fotografia, a mistura acaba acontecendo de uma forma muito orgânica. As crises criativas acontecem… E normalmente elas são resolvidas exatamente por aquilo que falta para determinado projeto, que eu elenco em 3 tipos: verba, ferramenta e prazo. De qualquer forma algo que eu venho tentando fazer é me desintoxicar de referências virtuais. Tenho tentado me distanciar das redes sociais para permitir que as inspirações venham de experiências reais.

iLovee: Você popularizou os gifs 3D, a produção de conteúdo focado nos stories e está sempre trazendo novidades na área. Na sua opinião, quais são os próximos passos do mercado criativo? Dicas para quem está começando na área?

Camila: Eu acho demais que as redes sociais, de alguma forma, democratizaram a produção de conteúdo. Hoje qualquer pessoa com um celular na mão é capaz de gerar uma narrativa incrível. Acho também demais que, de uma certa forma, há uma busca por se diferenciar. Por um outro lado eu sinto que, ao mesmo tempo, os apps estão tão disponíveis que as pessoas e também as marcas procuram originalidade. Acredito que pra chegar nesse ponto de autenticidade, a pessoa deve olhar pra dentro, para suas raízes e tentar mostrar o seu ponto de vista, que é único.

iLovee: Em 2018, vimos matérias falando que você chegou a faturar R$ 600 mil com fotos e gifs 3D. É um valor alto à primeira vista, mas muita gente não tem noção o quanto se gasta com equipamento, manutenção, investimento em cursos e etc. Fala mais sobre esse outro lado que não é tão mostrado na internet.

Camila: De maneira mais objetiva, eu sou uma pessoa física e pessoa jurídica. Minha pessoa física ficou sem receber o que a minha pessoa jurídica estava arrecadando por alguns meses para poder criar um fluxo de caixa. Acho que é o que as pessoas autônomas em geral mais se batem para conseguir. Esse fluxo de caixa permitiu que eu pegasse grandes campanhas de foto e vídeo, e nessas campanhas eu entregava não só o produto final (peça audiovisual), mas como toda a produção envolvida para realizar ela. Então, esse valor é o que a minha empresa gerou em um ano, mas tendo que pagar fornecedores, impostos, equipamentos, muitas vezes meses antes do pagamento entrar. Acho que nesse aspecto, ter estudado engenharia civil me ajudou a entender como administrar melhor a minha empresa.

iLovee: Para finalizar, você tem um olhar muito especial sobre o feminino e vemos que sempre tenta chamar mulheres para integrar sua equipe. Fala mais sobre a importância desse movimento em um mercado que ainda é tão dominado pelo masculino.

Camila: Desde que entrei na faculdade tive que lidar com um espaço totalmente ocupado por homens. Nos sets de filmagem, quando migrei para o audiovisual não foi diferente. Durante muito tempo, eu me sentia frustrada por não estar no mesmo patamar que os caras que tinham o mesmo tempo de carreira que eu estava, e todo o meu tempo livre, eu usava para criar as minhas coisas pessoais. É difícil ficar só esperando a oportunidade. Por que é isso que é… A mulher tem que ficar provando o tempo inteiro o quanto ela sabe, o quanto ela é boa. Raras as vezes alguém pega na sua mão e te traz pra dentro do círculo. Eu sempre tento incluir mulheres no meu set não só para que elas se sintam acolhidas dentro do ambiente de trabalho, mas como elas possam também aprender e começar a criar seu portfólio e experiência de set.

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