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05/08/2020 | Juliana Cunha

Minimalismo made in Brazil: a Escudero está prestes a ganhar o mundo

Tudo Moda História

Quem vive na ponte aérea provavelmente já encontrou sua fórmula perfeita de bagagem: é mandatório que seja compacta, suficiente e prática. Para Renato Pereira, que trabalhava no mercado financeiro até 2011, faltava uma peça-chave: uma mala de couro. Quando ele teve a sacada de criar sua própria versão, juntou a vontade de empreender a um tempo em Nova York e abriu com a então namorada (hoje esposa), Clara Tarran, formada em design, a Escudero & Co. “Chegamos a fazer três coleções de vestuário, mas sempre vendemos muitos mais os acessórios. Vimos que era nosso diferencial e uma pedida do mercado, então em 2014 redesenhamos o business com foco nos acessórios de couro.”

De lá para cá, a percepção de Clara e Renato sobre alguns fatores fundamentais só se acentuou: a de que o foco em um segmento é mais frutífero, a decisão de vir para São Paulo e o mergulho nos processos do couro. “A dinâmica de produção de roupa é muito diferente, e a gente se questionou sobre o ritmo. Eu e Renato pensamos sobre sustentabilidade desde a faculdade, e o ritmo de coleções, vendas e queimas de roupas não fazia parte da nossa filosofia. Baseamos a Escudero na atemporalidade, tanto para ter qualidade como para resistir às modas”, conta Clara.

Em busca da essência

Quanto à busca pelo couro, Clara divide que, na época de entrada no mercado, o couro ofertado não era o que eles almejavam. “A gente queria um couro de exportação que nem chegava a entrar no mercado. Entramos a fundo no processo produtivo porque queríamos esse couro específico e exclusivo, com as características que a gente não abriria mão”, detalha ela. 

Com as mudanças tomadas em 2014, a Escudero passou o ano de 2015 sem conseguir atender a demanda. “Tudo que entrava acabava na hora, tínhamos uma lista de espera enorme. Começamos a sentir as dores do crescimento e o fato de estarmos longe do nosso maior mercado, São Paulo. Foi aí que resolvemos mudar nossas vidas e vir para perto dessa cidade. Abrimos a primeira loja física, em Pinheiros, em novembro de 2016. A dos Jardins veio em julho de 2018”, lembra Clara. Com a rota recalculada, o que a Escudero mantém do carioquês em seu DNA? “Tenho bastante dificuldade de perceber isso, mas algo que nossas clientes falam muito é que a Escudero tem essa veia easy, de produtos sem barreiras para uso.”

Hoje, em contraponto ao que ocorria lá nos idos de 2012 e 13, a marca trabalha com lançamentos mensais. “Tirando as coleções-cápsula, que trazem produtos existentes em nova voltagem, a gente sempre tem produtos novos. Isso tem tudo a ver com a nossa filosofia, porque cada produto é muito único e especial, então para a gente faz todo o sentido se debruçar sobre aquele item.” Junto a isso, em um exercício frequente, a Escudero desapega de peças que deixam de fazer sentido conforme o tempo e as tira de linha, abrindo espaço para as peças mais recentes.

A fórmula faz bonito com a clientela: “Diria que o cliente Escudero tem um apego pelo bem-feito, e não pelo ‘muito feito’. Nosso minimalismo não é simples, muito pelo contrário: ele pede uma atenção enorme a detalhes porque tudo ali está em evidência. Temos um apelo atemporal, e por isso cada compra na Escudero é bem pensada, embasada em valores, é uma decisão especial.”

Expandindo as fronteiras 

Para uma marca que se firmou na produção de bolsas com tanto louvor, passar a fazer sapatos foi um passo bem pensado e planejado. “Assim como nossas bolsas têm um design autoral, seguimos a mesma premissa para os calçados e fizemos formas exclusivas”, explica Clara. A medida, que requer grandes investimentos pela questão ferramental, gerou um desenho exclusivo, mais alongado, e que traz não só o cabedal, mas também a palmilha e a sola de couro. 

Se mais quebras vêm por aí? Clara responde que o intuito é fazer produtos de qualidade. Assim como a escolha de vender calçados exigiu uma reflexão, pensar o uso de outro material além do couro também tem suscitado pesquisas. “A primeira sustentabilidade de uma empresa é fazer produtos que não virem lixo, então não pensamos em usar couro sintético, que não é renovável. Não encontramos um material com o aspecto que gostaríamos e com valor viável, então seguiremos na busca.”

Uma expansão já definida e com data marcada é física. “Vamos lançar em breve um site .com, para o mundo todo”, declara a sócia. Hoje, a marca envia internacionalmente, mas a partir de agora passa a funcionar um centro de distribuição no Canadá. Nosso produto já tem muita busca mesmo sem divulgação, então estamos animados para ver crescer esse potencial lá fora.”

SHOP ESCUDERO

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