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14/11/2016 | Team iLove

Fê Camões: talento brasileiro na haute couture de NY

Tudo Moda História

Fernanda Camões e a cidade de Nova York são um caso de amor complicado, desses de novela, cheio de idas e vindas. A gente explica: a Fê – mais uma mulher incrível que faz parte do elenco do nosso superprojeto de NY – é formada em Desenho Industrial, começou a carreira no estilo da Daslu – “eu trabalhava como vendedora e foi a Eliana Tranchesi que me despertou para o mundo fashion, acreditou no meu potencial, no meu olhar” – e estava de malas prontas para realizar o seu sonho: fazer mestrado em Fashion Design na Parsons The New School, uma das escolas de moda e arte mais renomadas do mundo, por onde passaram nomes como Marc Jacobs e Tom Ford. Eis que veio uma proposta de trabalho da Le Lis Blanc Petit e ela resolveu ficar – mesmo que o namorado (Alê) estivesse de partida para Boston… Mulher de pulso e opinião fortes.

Foi dois anos na criação da Le Lis Blanc Petit e John John Kids, época em que trabalhou diretamente com Traudi Guida, proprietária das labels, “uma mulher muito competente, inspiradora, líder nata, que me ensinou muito sobre o produto e o cliente”. Bem nesse período, o Alê recebeu uma proposta de emprego dessas irrecusáveis, e voltar para o Brasil deixou de ser uma opção. Tinha chegado a hora de retomar o antigo sonho: pela segunda vez, fez todo o processo (superdifícil, diga-se de passagem) de seleção para entrar na Parsons, conseguiu novamente e embarcou para a Big Apple determinada a se destacar e fazer a diferença por lá. E fez! No segundo ano do curso, recebeu uma proposta para estagiar na Carolina Herrera. O talento chamou a atenção da equipe, e, depois de um ano, ela foi efetivada como fabric buyer and developer da label, responsável pela compra de tecidos e desenvolvimento da estamparia da grife, trabalhando diretamente com ninguém menos que a própria Carolina Herrera, a grande estilista que dá nome à marca. E foi só no mês passado que a Fê se desligou da empresa para encarar um novo desafio.

Supersimpática, ela nos recebeu no seu apê – delicioso, com décor cool e vista para o Central Park, um dos seus lugares favoritos na Big Apple – para esse ensaio, que c0nta com styling do e-shop multimarcas Style Market, vestindo brands como Cris Barros e Ateen,  e saltos lindos (ela adora) Arezzo e Paula Torres. Abaixo, trechos do nosso bate-papo:

 fe camoes talento brasileiro ny

iLove: Você nasceu em Brasília, trabalhou em grifes tops de São Paulo e hoje atua na haute couture de NY. A que você atribui tantas conquistas sendo tão nova?

F: Acredito que o meu grande diferencial foi ter agarrado sem medo todas as oportunidades que surgiram, sabe? Tanto na Daslu quanto na Le Lis, eu tive que me jogar de cabeça, me virar para aprender praticamente tudo, e isso me fez uma estilista mais completa.

iLove: Qual a principal diferença entre trabalhar com moda no Brasil e nos EUA?

F: O investimento e a dedicação no processo criativo. Aqui, as pessoas realmente se envolvem nesse processo, depositam toda a sua energia em tentar criar algo novo e que se diferencie do que já existe no mercado. Na Carolina Herrera, por exemplo, a gente levava umas três semanas para definir a silhueta de uma coleção, eu passava horas trabalhando em cima de uma estampa – cheguei a viajar para a Itália, para o Lago Como, para estudar estamparia. Tudo isso faz com que a moda daqui tenha mais inspiração, seja mais conceitual e realmente dite as tendências.

iLove: Pelo que você falou, a Parsons The New School foi fundamental para te abrir portas preciosas e consolidar sua carreira por aqui. Conta como foi o estudar lá?

F: Bem difícil... desde o processo seletivo, que acabei fazendo duas vezes, até o curso em si, que é muito intenso e os alunos são muito competitivos. Foram dois anos de muito esforço. Só eu sei o quanto estudei e fiquei noites sem dormir...

iLove: Mas valeu a pena, certo?

F: Muito. Entrar no mercado aqui sendo uma estrangeira é raridade, tudo é muito complicado por causa do visto. Quem consegue ficar é realmente qualificado!

fe camões ny carreira

iLove: Durante dois anos, você teve contato direto com a Carolina Herrera mãe. Como ela é pessoalmente? Como foi essa experiência?

F: Foi incrível. Ela é muito chic e entende muito sobre o que uma mulher refinada quer, pois vive nesse meio, circula pela nata de NY. A Carolina sabe como ser elegante e isso transparece no produto dela. Isso sem contar o quanto eu aprendi trabalhando com os melhores fornecedores do mundo – tive contato com o pessoal que desenvolvia produtos para as principais coutures –, e observando a peça ser feita na minha frente, sob medida, à mão.

iLove: Dá pra sentir o quão você é apaixonada pelo seu trabalho, mas nem tudo são flores nesse mercado fashion, certo?

F: Sim. Eu trabalho muito, praticamente todo fim de semana, para uma indústria que não paga muito bem e é supercompetitiva. Nas semanas de pré-desfile e desfile, então, é uma loucura, ficamos até de madrugada para conseguir finalizar tudo.  As pessoas acham que essa vida é puro glamour, mas não sabem a correria que é o nosso dia a dia.

iLove: Falando agora sobre Nova York, o que você sente que é o melhor – e o pior – de morar aqui?

F: O melhor daqui é que tudo é muito fácil, o que me deixa mal acostumada. Um Eataly ou Whole Foods resolvem a sua vida em minutos, você se locomove facilmente pela cidade. Agora, a parte ruim... Pequenas coisas, como entrar no elevador e ninguém te dizer bom dia. Sinto falta da troca de energia entre os brasileiros, sabe? O povo daqui anda de fone de ouvido, ninguém conversa com ninguém...

iLove: E você pretende voltar a morar no Brasil?

F: Ainda não sei... Acho que Nova York não é uma cidade onde as pessoas criam raízes. É um lugar onde todos estão de passagem para aprender e crescer profissionalmente. Não me imagino muito construindo uma família aqui. Agora, preciso confessar que tem um lado superlibertador de se viver aqui...

iLove: Libertador em que sentido?

F: Nova York te permite ser o que você quiser. Ninguém está nem aí se você vai de pijama ou de salto ao mercado, você pode usar e abusar do seu estilo, sem preconceitos. Fora que é uma cidade que me inspira, que me faz acordar e sentir de vontade de fazer as coisas, de me arrumar, de me sentir bonita. Aqui, até mesmo o dia mais feio se torna bonito!

ilove: Para terminar, que dica de carreira você daria para quem está começando na moda?

F: Digo sempre para as minhas estagiárias: “tente ser a profissional mais completa que puder e passar pelo maior número de áreas que conseguir”. O universo da moda tende a ser muito segmentando, mas quanto mais completo você for, mais oportunidades de trabalho terá. Eu consegui muita coisa na Carolina Herrera por causa da minha experiência com moda infantil no Brasil. Então, abra a cabeça e transite por diferentes áreas.

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