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15/10/2020 | Kanucha Barbosa

O equilíbrio entre prazer e trabalho segundo "Emily em Paris"

Tudo Lifestyle História

O que dizer sobre Emily em Paris, nova produção de Darren Star, o cara que ajudou a dar vida a Sex and The City? Bom, para responder, vou me ater apenas à proposta que eu entendi ser a da série: entretenimento leve que faz a gente desligar um pouco da vida real. Uma bobagem? Sim, mas uma bobagenzinha que me fez viajar de volta a Paris, admirar os personagens clichês franceses muito gatos (e gatas) e torcer/não torcer pela protagonista, que consegue trazer sua dose de drama e pimenta que lembra uma Carrie Bradshaw bem millennial.

Mas não é sobre casos amorosos ou looks pink que quero falar nesta coluna. É sobre outro assunto que chamou atenção de alguns ao assistir Lily Collins perambulando por Paris: trabalho. Logo nos primeiros episódios, existe um choque entre o jeito americano e o francês de lidar com o assunto. Duas cenas específicas me fizeram pensar nisso — a que a americana chega para trabalhar às 8h da manhã e dá com a cara na porta, e a que ela observa de longe os almoços longuíssimos dos franceses, com direito a garrafas de vinho e muitas risadas. 

 
 
 
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Honestamente, não sei o quanto disso é realidade hoje no mundo da publicidade parisiense, mas para mim as discussões levantadas são muito válidas. Emily diz que ama o trabalho, que vive para ele, e isso causa estranhamento nos colegas europeus. Os franceses de Emily em Paris vivem por outras coisas, vivem pelo prazer, pela comida, por vinhos, por sexo…

Cresci influenciada pela cultura americana, acreditando na ideia de que uma carreira bem sucedida seria o principal objetivo da minha vida. Passei a adolescência me preparando para o vestibular de jornalismo, e a faculdade pensando nos lugares que gostaria de trabalhar. Por uma década, esse era o meu maior foco. E consegui o que sonhei. Fiz parte das maiores revistas de moda do país, vivi cenas inimagináveis e viajei para lugares que só o trabalho poderia me proporcionar. Mas no meio disso tudo, experimentei burnout, crises de ansiedade, exaustão e um conflito interno imenso. 

Aos 30, abandonei as redações. Embora eu amasse aquilo, era um relacionamento abusivo. Fui trabalhar em uma agência de publicidade até que rompi definitivamente com a CLT depois da licença maternidade. Então, há um ano, adotei o home office e comecei a fazer freelas. Nesse processo, descobri o que realmente me incomodava na rotina de trabalho: a falta de liberdade. 

Sei que é difícil falar sobre liberdade no mundo em que vivemos, afinal, temos que pagar as contas. Quando nascemos, somos inseridos em uma roda que já está girando e, para muitos, é impossível se afastar dela. Isso sem contar as pessoas que se sentem confortáveis ali e não desejam ir para longe. Crescemos acreditando que o trabalho traz propósito à nossa vida, e muitas vezes ele até traz. Mas, não é só ele que nos dignifica.  

Ter controle sobre o meu próprio tempo, no sentido literal mesmo, me proporciona um brunch com amigas no meio da semana ou tirar uma tarde para cuidar de mim. Algumas vezes, essas escolhas significam que terei que trabalhar até às onze da noite na sexta-feira, no entanto, elas me trazem a sensação boa de ser um pouco mais livre. 

Acredito que a minha busca hoje, aos 34, seja muito mais pelo equilíbrio do que pelas recompensas que uma “carreira de sucesso” podem me trazer. Neste momento, não quero ser nem americana e nem francesa, mas estar ali no meio, entre viver para o trabalho e viver para o prazer.

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