X

Tudo o que você mais ama

Assine para receber muitas novidades,
promos, dicas e achados do fantástico
universo online. E claro,
tudo isso com muita inspiração.

X
03/07/2019 | Mari Ribeiro

Entre os sabores e encantos do Sul

Tudo Moda Lifestyle História

Cada vez mais me sinto envergonhada quando penso na quantidade de lugares no Brasil que nunca visitei. Minha experiência no sul do país se resumia a viagens escassas para Curitiba e Florianópolis, nunca tinha ido ao Rio Grande do Sul. Então, quando recebi o convite do aplicativo e site Share Eat pela Ana Lúcia Zambon da Tastemkrs – amiga que adoro, além de mentora – para uma experiência de dois dias na Serra Gaúcha, não pensei duas vezes. Seria uma oportunidade única de conhecer a região sem as preocupações dos preparativos de viagem ou roteiro – afinal, a força do Share Eat é justamente a curadoria de experiências gastronômicas autênticas e memoráveis.

Saber disso é uma coisa, vivenciar é outra. Já no aeroporto e no voo, fiquei muito grata de ter conseguido manejar a agenda para estar ali – a turma era das mais divertidas e o papo e a troca já estavam rendendo antes mesmo do meio-dia. Chegando em Porto Alegre, fomos recebidos pelo Diego, um dos sócios fundadores do Share Eat e comunicados pela primeira vez a respeito do destino final: a região de Bento Gonçalves. Seguimos animados para nossa primeira (e já surpreendente) parada: o restaurante Casa Vanni, um segredo precioso entre os caminhos esverdeados da região – e afirmo isso com propriedade, já que entre nós estava uma das experts de dicas do Sul que desconhecia e ficou maravilhada com o local. Após um picnic ao ar livre nos jardins, degustando os espumantes mais saborosos da região, e um almoço de comer rezando (meu prato foi um suculento risoto de carne de panela), seguimos para a adega do espaço, que tem rótulos muito especiais de vinícolas dos arredores. Foi aí minha primeira descoberta: muitos desses vinhos nem chegam a São Paulo. Ou seja, temos produtores de primeira linha e opções nacionais maravilhosas da bebida as quais nem temos a chance de descobrir. Neste momento, comecei a me apaixonar e valorizar honestamente os vinhos brasileiros que tanto já tinha esnobado no supermercado perto de casa.

Fotos: Lena Mattar

O segundo programa tinha atmosfera de aventura: fomos conhecer a principal vinícola de espumantes da região, a Cave Geisse, em Pinto Bandeira. A história de lá não poderia ser mais interessante: Mario Geisse, chileno, enólogo e engenheiro agrônomo veio para o Brasil em 1976 para comandar a operação da Moet Chandon por aqui. Estudou o clima e solo da Serra Gaúcha com a finalidade de encontrar o melhor local para produzir espumantes finos e três anos depois fundou sua própria vinícola. Fomos recebidos pelos simpáticos filhos do dono, Daniel e Rodrigo para um tour que teve direito até a um passeio de quadrículo pelos mangues, degustação entre cachoeiras e um encerramento para celebrar o momento happy hour com queijos e drinks na área super charmosa que eles possuem na própria vinícola, uma espécie de restaurante-bar entre as árvores que se mescla perfeitamente com a paisagem local. Nem na Toscana eu tinha tido uma experiência tão interessante em uma vinícola como a que estava vivendo ali, há poucas horas de São Paulo.

Hora de seguir para nossa pousada, que ficava dentro de outra vinícola muito especial de lá, a Don Giovanni. Se qualquer pessoa do grupo achava que iríamos direto acomodar as malas no quarto, se enganou. Seguimos direto para os vinhedos, com uma vista de tirar o fôlego, para apreciar o pôr do sol tendo a primeira degustação de um dos espumantes Don Giovanni, acompanhada de pinhões tostados ali, na hora, em uma fogueirinha improvisada. O visual lindo, as risadas e os sabores de tudo já poderiam ser a forma perfeita de encerrar o primeiro dia, mas ainda fomos surpreendidas por um jantar dentro da adega local, com pratos deliciosos servidos direto da panela e um papo cheio de histórias e coisas interessantes com Daniel, genro do proprietário e hoje o responsável da família por comandar toda a produção da vinícola. Ele abandonou sua profissão de farmacêutico para viver de vinho – tem coisa mais legal que isso?

Foto: Lena Mattar

O segundo – e já último – dia começou cedo, com uma visita a uma cervejaria incrível, a Blauth Bier. Ainda eram 11 horas da manhã quando começou nossa primeira degustação - desta vez, de cervejas. Depois, partimos para uma das melhores experiências do roteiro: caçar cogumelos porcini na mata com ninguém menos que um dos mais renomados chefs e restaurateurs da região: Altemir Pessali. Todo o grupo encontrou cogumelos deliciosos que foram prontamente preparados ali mesmo em um dos melhores risotos que já comi. Foi um almoço bem descontraído, e por isso ainda mais gostoso. Para acompanhar, vinhos da Almaúnica, vinícola muito apreciada da região que visitaríamos em seguida.

Finalizamos o dia no Vale dos Vinhedos conhecendo um pouco da história dos gêmeos Magda e Márcio Brandelli, que fundaram a Almaúnica em 2008 em Bento Gonçalves. Eles pertencem à quarta geração de uma família produtora de vinhos, iniciada em 1887. Toda a história foi compartilhada, encenada e apreciada com uma degustação inesquecível de espumantes, brancos e tintos ao pôr do sol iluminado naquela paisagem toscanense – e mais uma vez ficamos todos impressionados por conhecermos tão pouco das belezas do Brasil. Para fechar com chave de ouro, jantamos em um dos mais refinados e conhecidos restaurantes da região, o Valle Rústico, do chef Rodrigo Bellora. Com o conceito de slow food, ele nos levou para conhecer o cultivo de vários produtos servidos naquela noite, pois todos são orgânicos e biodinâmicos, produzidos por ele mesmo ou localmente. O menu degustação era surpresa e fomos descobrindo e nos deliciando com nossa refeição aos poucos, aquecidos pelo vinho e a refeição muitíssimo bem servida.

Foram apenas dois dias, mas senti como se tivesse tirado férias muito bem merecidas em uma região surpreendente do país, desconhecida por mim e pela maioria que estava lá. Um agradecimento especial ao Diego Fabris e seu Share eat, do qual já sou usuária assídua – vale correr para olhar e participar da ação O Melhor emprego do mundo que está rolando por lá – e à Ana Lúcia Zambon, por me incluir em um grupo tão legal para viver dias inesquecíveis. E Bea Stoppa, Lena Mattar e Cami Barbosa, que foram as companhias que fizeram toda diferença nessa viagem. Já aguardo o convite para a próxima. 

Em destaque

assine nossa newsletter

Voltar ao topo Voltar ao topo