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27/08/2018 | Tissyana Guimarães

Chatissys: conheça a nossa coluna com Tissyana Guimarães

Tudo Lifestyle História

Hoje começamos uma nova coluna no iLovee com a psicóloga e mente pensante Tissyana Guimarães. A Tissy já passou por empresas como a agência de pesquisas Box 1824, hoje comanda seu próprio consultório na @acasaconvida e agora tem voz mensalmente aqui. Fique agora com as palavras dela…

Psi… quê?

Graças ao convite maluco do iLovee, começo essa experiência de compartilhar a cada mês assuntos que me instigam. Pode ser que eles venham da rua, da cultura, do consultório ou da minha cabeça; o desafio é transformar em texto essas coisas que ficam flutuando caótica e sutilmente na nossa cabeça. Não por acaso, começamos hoje, no dia 27 de agosto, o instaurado dia do psicólogo. Sim, sou psicóloga, ainda que seja estranho me denominar assim. Pra mim, faz mais sentido dizer que eu encontrei na psicologia um jeito de explicar o mundo. Mas claro, esta é uma maneira. Existem tantas outras.

No dia 27 de agosto se comemora o aniversário da regulamentação da psicologia como profissão no Brasil. Isso foi há 56 anos. Parece pouco e, ao mesmo tempo, me parece que a psicologia sempre esteve por aí. Isso porque tem psicólogos a 'dar com pau’ nos hospitais, fóruns, empresas, movimentos sociais, clubes de futebol, escolas… Tem psicólogo trabalhando com grupos, famílias, casais, crianças, pessoas com necessidades especiais… Fazendo pesquisa, escrevendo livro, filme, sendo candidato a deputado, ou seja, basicamente todo espaço onde houver humanos potencialmente um/a psicóloga/o estará lá.

DA TEORIA...

Isso porque a psicologia é um conjunto de teorias e práticas que tentam se aproximar da complexidade que são as pessoas, os grupos, as organizações. E já que tudo isso é tão diferente e complicado não tinha como ter uma resposta só. Uma das coisas que mais me impactou na faculdade foi ver que não existe um consenso na psicologia. Não existe uma verdade, uma orientação, uma diretriz. Existem linhas. São diferentes maneiras de se explicar o mundo, os fenômenos psicológicos e de atuar em relação a eles. Na real, são psicologiaS.

Alguns exemplos de linhas ou abordagens são a psicanálise, a psicologia analítica, a psicologia comportamental, a social, a behaviosita, a fenomenologia, a bioenergética… Sim, eu sei, nomes complicados e estranhos que não dizem muita coisa. Mas calma, você não precisa saber de tudo isso para entender mais de psicologia. O dahora é saber que existem diferentes formas de pensar e fazer porque não existe uma única maneira de explicar o ser humano!

Tá, e como o psicólogo escolhe uma linha então? Me perguntava isso durante alguns semestres. Todas as linhas são coerentes e a gente estuda e experimenta com cada uma delas… E aí, algo mágico acontece: a partir do que você acredita internamente, você acha a sua combinação. Então hoje eu me considero psicóloga social com fortes impulsos psicanalíticos. Amanhã, já não posso garantir.

Foto por Markus Spiske via Unsplash

… PARA A AÇÃO

Uma das maneiras mais famosas do fazer em psicologia é a terapia. Como você pode imaginar, cada uma das abordagens vai ter um jeitão de terapia bem diferente. Tem aquelas que usam o divã - aquele sofazinho emblemático -, as falam de sonhos, em umas você pratica coisas durante a semana, em outras você desenha, outras têm massagem, mas em todas a gente conversa. Conversa bastante.

E pra que tanto papo, minha gente? Bom, uma das principais razões da psicologia existir é para tentar minimizar o sofrimento humano de uma maneira humana, ou seja, pela presença, pela companhia, pela disponibilidade. Além disso, por não estar tão emocionalmente envolvido no decorrer da vida do paciente, o terapeuta consegue mostrar outros pontos de vista, outras possibilidades. A terapia nada mais é do que o encontro de pessoas em que uma está totalmente disponível e comprometida com o outro. E isso acontece ao redor de papos bons, mas muitas vezes, significa te acompanhar até o fundo poço, seja ele quão fundo for.

Uma das primeiras perguntas que ouço no consultório é pra que serve a terapia? É sempre difícil de responder essa. Isso porque para cada pessoa que senta ali na minha frente, acontecem coisas diferentes. São diferentes formas de experimentar os acontecimentos e, da mesma maneira, diferentes formas de curar. Mas quem sabe disso definitivamente não sou eu. Eu só estou ali para presenciar o desenrolar das próprias pessoas, suas histórias, suas vidas, suas emoções. É realmente um trabalho muito maluco, imaginar que tem uma pessoa que você não sabe praticamente nada da sua vida e, ao mesmo tempo, assiste de camarote seus maiores medos, desejos, vergonhas e conquistas.

Foto por Tam-Wa via Unsplash

Pra mim, quem conduz a terapia é realmente o paciente, ele que dá o ritmo, o tema e o tempo. Ele que dá a deixa para eu terminar, e ele que define quanto tempo nosso processo vai durar. São muitos e muito diferentes os motivos que levam as pessoas a fazerem terapia. Mas para mim uma coisa é certa: não é todo mundo que precisa de terapia, e não é sempre que se precisa de terapia. Mesmo. Uma amiga me trouxe uma definição genial, ela diferencia atitudes terapêuticas de intervenções terapêuticas. Existem atitudes terapêuticas, que são aquelas que trazem benefícios da escuta, da empatia, da cooperação, e isso pode ser realizado por diversos profissionais e amigos. Mas, para ela, as intervenções terapêuticas são aquelas que vêm com a bagagem da técnica psicológica que consegue clarear, esclarecer e pensar junto às escolhas.

Bom, se você já pensou ou pensa em procurar um/a terapeuta, a única coisa que te peço é: esqueça tudo que eu disse sobre abordagens. A escolha por um/a terapeuta não tem que envolver muita 'fritação mental', é simplesmente um encontro, um feeling, uma parada que não se sabe o nome e talvez nem tenha. O terapeuta nada mais é do que um parceiro invisível de viagem, que está contigo dentro do seu barco. E sua função é ajudar a encontrar essa rota, que é sempre para dentro. Há tanto que a gente não sabe de nós mesmos, mas que aventura é poder ir conhecendo, aos poucos, com respeito e delicadeza, e ir desenhando este mapa único.

Ps: no final dos livros às vezes tem um glossário, né? Então vamos usar disso para tentar esclarecer as diferenças entre os vários “psi”s:

  • Psi.qui.a.tra = é uma especialização médica. Então a pessoa faz lá medicina e depois se especializa nas questões comportamentais, mentais e emocionais. Por ser médico, é o único que pode receitar medicamentos.

  • Psi.có.lo.go = é formado em psicologia e pode atuar em todos aqueles lugares que falei antes.

  • Psi.ca.na.lis.ta = não necessariamente é formado em psicologia, mas fez uma formação específica em psicanálise (que é uma das abordagens da psicologia).

  • Psi.co.te.ra.pe.u.ta = realiza terapia e pode seguir qualquer uma das abordagens citadas.

  • Psi.co.pa.ta = uma maneira de ser que frequentemente é tachada como perigosa, mas que na verdade é apenas uma forma diferente de socializar. Não são necessariamente serial-killers.

  • Psi.ri.co = uma banda genial de arrocha que trata de questões existenciais cunhando termos como o Lepo Lepo.

  • Psiu.Psiu = hit da companhia do pagode de 97. 97! E eu ainda cito como se fosse de ontem.

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