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16/07/2020 | Olívia Nicoletti

Coluna da Oli: meu deus, que preguiça de fazer skincare!

Tudo Beleza História

Eu não tive nenhuma grande iluminação espiritual durante meu isolamento social — quem sabe ela ainda está por vir? Tampouco o romantizei no sentido de que a gente se conhece melhor quando se afasta do mundo. Acho que, sim, pode ser que isso aconteça. Mas no nosso atual contexto, não foi o que rolou por aqui. Pelo contrário: uma vez que me vi distante da minha vida como sempre, senti um descolamento de mim mesma. Às vezes tenho a sensação de que eu não sou eu e, em uma pesquisa feita no meu perfil do Instagram (@oliviaanicoletti), percebi que muita gente sente o mesmo. 

Talvez por esse motivo a minha vontade de fazer aquele skincare muito bem feito evaporou de uma hora para a outra. Perdi as contas dos dias que fui dormir sem um pingo de creme no rosto ou que acordei e pensei “hoje não vai rolar”. Ao passo que percebi esse desânimo do autocuidado, comecei imediatamente a me culpar. Me senti desleixada, irresponsável e até imaginei várias rugas e manchas pipocando pela minha pele sem mais nem menos. A paranoia foi tanta que até a levei para a terapia. Depois de um pouco de conversa cheguei a algumas conclusões e achei que deveria compartilhá-las por aqui. 

Ser mulher implica, desde sempre, responder a cobranças sociais e estéticas. Ponto. Ainda que, de uns tempos pra cá e graças a primavera feminista, alguns tabus vêm sendo quebrados (ainda bem!), essas cobranças parecem ficar cada vez maiores. Se por um lado estamos desmontando um estigma de que precisamos estar sempre muito bem maquiadas, com a pele corrigida, cílios de boneca, ar de saúde e por aí vai, por outro, pode ser que estejamos começando a criar a ditadura do autocuidado. 

Claro, trocar a necessidade de cobrir imperfeições por prevenir e tratar a pele, corpo e cabelo já é um grande avanço. Pensar em mudar ou aceitar algo que não gostamos em nós através do auto acolhimento é muito bonito. Muitas mulheres passaram a conhecer melhor suas peles, corpos e cabelos depois da crescente onda do autocuidado e skincare — palmas para eles! Mas, muitas vezes tenho a sensação de que podemos estar trocando uma prisão pela outra.

Essa sensação está diretamente ligada a levar modismos muito a sério. É claro que a maquiagem não é uma vilã e muito menos os produtos de autocuidado. Ambos, quando usados com respeito às nossas limitações, são muito divertidos e trazem inúmeros benefícios. O problema é quando percebemos que, ao deixar de fazer uma dessas coisas, nos sentimos mal. O vilão aqui (e quase sempre) é a nossa necessidade enquanto mulher de provar que estamos respondendo direitinho a uma nova cobrança — no caso, de precisar ter a pele, corpo e cabelos impecáveis sempre. 

Depois de pensar sobre tudo isso, levei mais a sério responder com carinho e respeito às necessidades do meu corpo — como me entregar à preguiça às vezes — do que responder a pedidos sociais inatingíveis. Ontem eu dormi de cara lavada. Hoje pela manhã, apliquei umas gotinhas de peptídeos na pele do rosto, mas não lavei os cabelos (ops!). À noite, pretendo tomar um banho de banheira, mas não sei se vou passar um hidratante ao sair dela — acontece. Não só em momentos de crise, mas sempre, é preciso lembrar de viver um dia de cada vez e fazer tudo e apenas o que a gente consegue. Não se cobre tanto. Seguimos, eu aqui e você aí, esperando que tudo isso uma hora passe.

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