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21/02/2019 | Ariana Schlösser

Codependência Emocional com Ariana Schlösser

Tudo Lifestyle História

Olá, eu sou Ariana e eu sou a nova colunista do Ilovee. 

Costumo dizer que eu sou uma fortona-resolvidona-tá-tudo-bem-comigo-não-preciso-de-ninguém-me-viro-sozinha-mas-tô-morrendo-de-carência em processo de recuperação. Esse é um dos apelidos que eu dou para codependência emocional. Eu sei é um termo estranho, meio assustador até, e ninguém usa muito ele, mas esta condição é extremamente comum entre nós mulheres e eu me sinto na obrigação de compartilhar o meu processo com o mundo para que mais de nós possamos saber que não precisamos viver nos fazendo de fortes e sofrendo sozinhas.

Hoje compartilho meu processo nas redes sociais, pesquiso profundamente sobre o assunto, ofereço um curso e apoio outras mulheres no processo de desenvolvimento do tão desejado amor-próprio real, no aprendizado de colocar limites saudáveis nas relações e no desenvolver maior da intimidade com nós mesmas e com os outros, entendendo o que sentimos, nos permitindo sentir e nos expressar mais plenamente. E isso é uma jornada, um processo e precisamos falar mais sobre isso, não é mesmo?

Cansada de todo mundo te achar bem resolvida, mas por dentro tá f*da? 

Isso é BEM mais comum do que você imagina. A maioria de nós mulheres não entende bem o que acontece dentro de nós mesmas, muito menos conseguimos verbalizar isso de uma forma clara em nossas relações. Eu era essa pessoa. Eu não entendia o que acontecia comigo, com as minhas emoções e minhas relações eram muito confusas pra mim. Até que um dia, de forma inesperada, eu ouvi a palavra codependência pela primeira vez. 

Ela não me chamou atenção logo de cara. Codependência me remetia a dependência, e eu, justo eu, poderia me considerar tudo no universo, menos dependente.Afinal, eu sou e sempre fui do tipo: "independente e forte, e não venham estragar esse meu rolê". Porém, a cada palavra, exemplo e explicação sobre o assunto, mais fazia sentido pra mim. Descobri que muitas e muitas outras pessoas no mundo passavam pela mesma situação e ela tinha uma explicação, tinha um caminho para eu mudar isso. Ou seja, você não está sozinha.

A carência muitas vezes existe, seja ela declarada ou camuflada

Numa olhada rápida, o nome codependente remete a alguém declaradamente carente e que se joga em mil relações, e esse pode ser o caso de muitas pessoas realmente, mas muitas outras vezes esses indivíduos não estão buscando uma relação de intimidade real. Muitas vezes estão apenas tentando preencher um vazio. Esse vazio interno, quando negligenciado, pode gerar uma compulsão: trabalhar demais, comer demais, beber demais, comprar demais, etc. Todas são formas da gente querer não sentir - e tudo bem não sentir às vezes. O problema é que isso pode nos impedir de entrar em contato com quem somos de verdade. 

É muito comum encontrarmos uma pessoa workaholic, por exemplo, tentando preencher com o trabalho, esse vazio que sente. Ah, e não se engane: ela nunca vai admitir para si mesma que é uma workaholic porque está em negação das suas emoções, sentimentos e necessidades e isso a faz criar uma certa insensibilidade à própria carência. Este era o meu caso. Eu não queria sentir nada disso.

Podemos não nos perceber como pessoas carentes, cheias de necessidades que ainda não foram olhadas, descobertas e muito menos supridas, porque não nos conhecemos e temos um medo terrível disso, de entrar em contato com esse vazio dentro de nós e não dar conta dele. Mas é justamente isso que precisamos fazer devagarzinho para preencher esse buraco dentro de nós.

 

Foto : Reprodução  Unsplash

Sempre na busca constante por alguém ou flerte com o isolamento?

Muitas codependentes ou vivem em uma busca constante por alguém na esperança de preencher este vazio para não viver em solidão ou optam pelo isolamento movido pelo medo da rejeição. São mulheres fortes, muito produtivas, que tem tudo resolvido e não precisam de ninguém, e que se resolvem sempre sozinhas. Podem e geralmente são as pessoas que cuidam de muita gente e muitas coisas. E você raramente as vê pedindo ajuda. A codependente tem muita dificuldade em entender seu real valor. O valor de quem ela é se ela se mostrar por inteiro: imperfeita.

Sabemos que essa baixa autoestima pode ser disfarçada de superioridade, orgulho, confiança, segurança - podemos até nos tornar alguém extremamente interessante e sedutora como um mecanismo de defesa, uma fachada que nos esconde de verdade. Tudo para disfarçar a dolorosa experiência de se sentir menos. Facilmente uma codependente com pouco autoconhecimento pode não se identificar por acreditar que está no controle, que consegue agradar as pessoas e receber ‘amor”. 

Acredito que isso gera mais baixa autoestima e mais necessidade de compensar, pois no fundo quando fazemos isto sabemos que não estamos sendo amadas por quem somos de verdade. Em épocas de redes socias e fama a todo custo, uma pessoa pode conseguir conquistar o mundo todo, mas não consegue conquistar a única pessoa que a interessa de verdade: ela mesma.

Suas relações ou a falta delas te deixam louca?

Geralmente notamos os maiores sintomas da codependência nas nossas relações, na sua qualidade ou simplesmente na falta delas. Muitas de nós achamos que temos dedo podre no amor. Atraímos as pessoas indisponíveis, complicadas, cheias de problemas, vivemos relacionamentos confusos e tortuosos além do “normal” e, geralmente, vivemos relações de uma forma não muito saudável. Isso também pode aparecer nas nossas amizades, relações de família e colegas de trabalho, etc.

Como temos dificuldades em entrar em contato com nossas emoções é comum sentirmos muita dificuldade em nos comunicar e em nos posicionar de forma clara e construtiva nas relações. Isso faz com que muitas vezes causemos conflitos desnecessários ou os evitemos (e conflitos são importantes).

Parece sempre haver um link entre amor e sofrimento


Costumamos sentir muita culpa por tudo sempre e quase nunca pedimos pelo que merecemos porque nem sabemos o que merecemos. Ao mesmo tempo, antagonicamente, acabamos exigindo demais de nós e dos outros por conta dessa falta de noção, de limites, mas não fazemos esses pedidos de forma direta. Entramos nas relações nos sentindo menos e aturamos o comportamento ruim do outro sem colocar limites. Temos limites fracos demais ou rígidos demais, e muita dificuldade de dizer não para outros. Um sinal forte de codependência é uma disposição para assumir mais de 50% da responsabilidade por uma relação. E, quando esta não vai bem, apesar de todos os esforços, nos culpamos e acreditamos que tudo dará certo caso a gente se esforce mais um pouquinho.

Além da culpa, sentimos muito medo e vergonha. Dependemos da aprovação dos outros, às vezes até tentando fingir que não, mas, no fundo, estamos querendo que todos gostem de nós e estamos profundamente preocupadas com isso. O que nos torna, muitas vezes, sensíveis demais a críticas.

Essas comportamentos costumam vir de lá de trás na nossa história. São comuns casos de codependentes que na infância eram considerados pela família como mais maduros do que a sua idade biológica: "Ah, como ela se resolve sozinha e nunca pede ajuda". Mas, geralmente, essa criança apenas teve que fingir não sentir suas necessidades e emoções pois de alguma forma não havia espaço para isto. Então ela aprendeu a não dar trabalho, aprendeu que não merecia tanta atenção e aprendeu se cuidar sozinha, e até dos outros. Acreditou que quem ela era não era o suficiente, e até hoje busca uma forma de ser perfeita. “Serei só um pouquinho melhor, então finalmente vão me amar”. 

Muitas vezes quando crianças absorvemos a ideia que não vivemos para apenas SER quem somos, mas para termos uma FUNÇÃO. De alguma maneira, somos objetificada e e depois passamos a nos objetificar. Apenas SER quem se é passa a não ter valor, e o que passa a ter valor é ser útil ou ser o que quer que tivermos que ser para sermos amadas.

Foto :: Reprodução  Unsplash

Me identifiquei muito, e agora?

Primeiro respire e se acolha muito. Este é um tema complexo e espero poder esclarecer muito dele pra vocês ao longo do tempo. Enquanto isso, quero te dizer algumas coisas importantes sobre nosso papo de hoje: se você se identificou com perfil de codependente, leia e processe tudo isso com muito carinho e amor por você porque é disso que precisamos. Um grande erro é achar que nascemos sabendo nos amar, não é verdade para muita gente e é preciso aprender a fazer isso. 

Saiba também que isso não nos limita. Estes comportamentos podem ser mudados. Não os temos propositalmente, não temos culpa disso. Simplesmente foi como aprendemos a nos proteger de dores muito profundas e ninguém nos ensinou a lidar com elas de uma maneira diferente no passado. 

Não existe alguém 100% não codependente ou que não se sinta ou se comporte um pouco assim em algumas situações então pegue leve com você. Por vezes, lemos textos como esse e já acionamos o nosso chicote interno ou então entramos no mood #agoravaivoumudartudoparaontem. Deixar pra trás essa forma dura de se tratar e ver a vida é um desafio, e é o nosso desafio como codependentes: cuidar de nós mesmo, mas com amor, carinho e delicadeza.

Hoje, meu processo de recuperação consiste em: 

1. Parar de me distrair de mim mesma com os outros ou com trabalho;

2. Me priorizar e estabelecer limites, não fugindo de confrontações;

3. Tomar consciência do que sinto e realmente me permitir sentir, me acolhendo e aprendendo a então me expressar de acordo;

4. Seguir mais e mais os meus desejos (e não aquilo que eu acho que eu tenho que desejar);

5. Acabar completamente com o meu papo interno autocrítico e perfeccionista, me permitir errar, me perdoar e me agradecer pelas oportunidades que eu crio na minha vida.

Essas ações mudam a maneira como me relaciono comigo mesma, como converso comigo, como me cuido e me trato. Fazer isso me fez perceber que, pela primeira vez, estava verdadeiramente dando passos firmes e sólidos em direção ao que realmente significa me amar e me aceitar na prática, não só na teoria bonitinha. E tudo tem mudado desde então.

Agora eu quero saber, como é isso pra você? Me conta...

Espero que esse texto tenha te ajudado. Agora quero saber de você: como foi ler sobre isso? Você se identifica de alguma forma? Quais dúvidas e questões surgiram para você? Envie para o iLovee e te espero nos próximos textos.

Onde encontrar a Ari? No  @EU.SOU.ARIANA , através do blog ou para saber mais sobre o assunto nesse link. 

 

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