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06/05/2020 | Juliana Cunha

Arte em revisão: papo com Ana Serra, da Carbono Galeria

Tudo Lifestyle História

Se a obra de um artista renomado pode alcançar o preço de R$120 mil, como seria possível pagar 10% desse valor em uma obra também criada pela mesma pessoa? Arte contemporânea de qualidade, desenvolvida em edições especiais por nomes consagrados do mercado, e ainda oferecida a preços muitos mais módicos do que os originais levou a Carbono Galeria ao patamar de reconhecimento atual. Criada em 2013 pelas colecionadoras Ana Serra e Renata Castro e Silva, a instituição surgiu no intuito de democratizar, na medida do possível, obras de arte antes restritas a um público consumidor da elite. Assim, visando aos novos players de mercado, interessados, porém com poder aquisitivo mais restrito, a galeria tem consolidado nome e público graças à combinação de uma boa sacada e produção de alta qualidade

Agora, mirando uma expansão do público, a Carbono desembarcou na curadoria do Iguatemi 365, e-commerce do grupo que traz um mix de moda e lifestyle. Mais uma possibilidade de consumir o que fazem nomes como Adriana Varejão, Abraham Palatnik, Artur Lescher, Bob Wolfenson, Carlos Cruz-Diez, Daniel Senise, Leonilson, Tomie Ohtake, Waltercio Caldas e Willys de Castro. Em tempos de coronavírus, com o isolamento social e uma lupa posicionada sobre a forma como pensamos, vivemos e consumimos, a arte surge como o mais eficiente teletransporte, disposto a te levar para outros mundos, fazer navegar mares inexplorados, apresentar cores desconhecidas, oferecer visões não catalogadas. Confira nossa entrevista com Ana sobre conceitos e reinvenções.

Ana, em termos pessoais, quando e como você começou uma relação mais íntima com arte? Em que momento resolveu fazer disso sua profissão?

Eu fui publicitária durante 30 anos e larguei a publicidade, vendi minha agência e resolvi procurar outra profissão. Queria encontrar outra área que eu gostasse tanto que eu gostei de publicidade. Quando abri a Carbono, há sete anos, eu já colecionava arte contemporânea, estava estudando essa área, já tinha relação próxima com algumas galeristas e quis seguir esse caminho. Mas queria pensar o que poderia fazer dentro do mercado de arte contemporânea e cheguei à conclusão de que não existia uma galeria especialista em edições. Queria algo diferenciado, porque é um mercado estabelecido, e que cresce muito por ano. Aqui no Brasil, cresce a uma média de 20% ano. Pesquisando, eu e minha sócia, Renata [Castro e Silva, também advinda da publicidade], tivemos a ideia de fazer uma galeria de edições para ampliar o mercado com preços acessíveis. 

Pode explicar melhor essa ideia das edições? O que isso significa na prática para o artista e para o comprador?

Não existem obras únicas, todas são edições de 15 ou 20 unidades, produzidas por artistas consagrados. São controladas e comercializadas pela Carbono e certificadas pelo artista. São coisas que temos a possibilidade de fazer uma tiragem, de reproduzir, como esculturas, gravuras, fotografias, objetos. Nosso grande objetivo é ampliar o mercado e fazer com que mais pessoa tenham acesso aos bons trabalho de artistas contemporâneas, queremos atingir novos colecionadores, pessoas jovens que estão começando a se interessar pelo mercado de arte. A Carbono, em sete anos de vida, já lançou mais de 200 edições exclusivas, ou seja, nas quais os artistas fizeram aquela obra especialmente para a Carbono. Mais de 130 artistas já desenvolveram obras para a gente. 

Queremos atingir novos colecionadores, pessoas jovens que estão começando a se interessar pelo mercado de arte

Quais os critérios utilizados para a seleção dos artistas que trabalham com vocês?

Outra coisa que fez a Carbono se consolidar foi a contratação de curadores para nos ajudar a escolher artistas e obras. A gente tem, em média, quatro exposições por ano, todas com curadoria. Selecionamos o curador e, a partir daí, pensamos em um tema. Então, o curador escolhe artistas que têm relação com esse tema, os convida e os artistas desenvolvem a edição de obras. 90% dos artistas que produziram para nós passaram por esse processo de curadoria selecionada.

Entendo que havia uma brecha forte em termos de demanda de mercado. Mas e com os artistas, qual foi a receptividade deles para esse formato e tipo de obra?

Os artistas, até mais do que colecionadores e clientes, são os mais interessados e maiores apoiadores da iniciativa da Carbono. Isso porque, para eles, interessa que um número maior de pessoas tenha acesso aos seus trabalhos. Todo artista é representado por uma galeria-mãe, responsável por sua carreira em termos de produção, exposição em mostras, visibilidade internacional.Estamos falando de obras únicas e isso acaba pegando uma faixa pequena de público que pode tem o poder aquisitivo para esse consumo. O trabalho da Carbono faz com que mais pessoas tenham acesso ao trabalho e ao artista, e tomem gosto pelo mercado. 

Nos últimos anos, temos visto diversas mudanças no consumo de arte em termos de fomentar experiências entre o público e os artistas. Você considera que isso impulsionou o trabalho que vocês fazem na Carbono?

Com certeza. A experiência, por mais que esteja um pouco batida, é muito válida, faz toda a diferença para o consumidor. No mundo das artes, faz toda a diferença quando envolvemos as pessoas em visitas ao ateliê, exposições, quando assistem a um curador falando ou um artista explicando sua obra. Na Carbono, toda vez que temos um lançamento individual, que é dissociado da exposição coletiva,  que tem de 10 a 12 artistas, buscamos fazer uma experiência. Envolver o consumidor com o artista faz ele prestar mais atenção, se interessar, pesquisar. 

Muitas vezes, em meio à pandemia, conseguimos encontrar identificação e até uma forma de acalento em obras de arte produzidas antes desse período. De que maneira você enxerga que a arte tem essa habilidade?

A arte ajuda a passar por esse momento de forma mais leve, porque tem a ver com maneiras de enxergar o mundo. E também tem a questão de que a gente nunca teve tanta oportunidade de acesso ao mundo das artes, e estou falando de cinema, música, literatura, além das artes plásticas. As lives no Instagram, que o Iguatemi está oferecendo, por exemplo, trazem também o conteúdo. 

Em que sentido o fato de estar à venda em um e-commerce como o Iguatemi 365 tem fomentado as possibilidades desse universo para a Carbono?

A gente toma muito cuidado - e isso faz muito da nossa imagem - com as edições. Nunca vendemos online em uma plataforma que não seja de arte, e nem ao vivo fora de uma feira, em algo que não tivesse nossa administração. Já recebemos convites para vender em outros marketplaces, mas nunca nos sentimos confortáveis. Como temos o objetivo de ampliar nosso universo, vimos no convite do Iguatemi 365 uma oportunidade: o público tem conexão total com o nosso, e a marca dispensa apresentações, porque complementa a Carbono. Dessa forma, atingimos maior número de pessoas, mas ainda dentro dessa adequação. Fizemos em conjunto uma selação das obras que estaria à venda. O público que vai nos acessar via Iguatemi não necessariamente tem conhecimento nem da Carbono, nem do mundo das artes, mas percebe a oportunidade de adentrar essa seara.

É possível promover uma relação de conexão com obras e artistas em meio à pandemia? Como fazê-lo?

Nós temos trabalhado com mais força nas redes sociais, intensificando a rede, criando mais conteúdo, divulgando produtos e dicas no geral. Vamos colocar o site novo no ar para ajudar.

Fotos: Everton Ballardi e Bruno Leão.

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