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26/06/2020 | Juliana Cunha

5 livros para mergulhar na língua portuguesa

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Amo quando estou lendo um livro e me deparo com uma palavra bonita, ou que parece soar bem, e não conheço. Procuro na hora o significado e faço o exercício de memorizá-la. Aí, quando estou escrevendo algum texto mais criativo - para o trabalho ou pelo prazer de registrar algo que me veio à mente - muitas vezes as palavras as palavras voltam ao pensamento de forma espontânea: acho que me eduquei para ser assim. Ler é mesmo o jeito mais eficiente, além de prazeroso, de incrementar o vocabulário. Livros na nossa língua, então, são os melhores tobogãs para uma piscina de novas possibilidades léxicas

Foi pensando nisso que selecionei hoje cinco livros de autores da língua portuguesa que podem te apresentar a um mundo de novos termos e te enriquecer com histórias cheias de profundidade.

Ensaio sobre a cegueira (José Saramago)

Ler Saramago, autor português, é descobrir coisas novas. A começar pela escrita, em si, que leva uma pontuação semelhante à oralidade e pode causar estranheza no início. Depois, essa escolha passa a parecer mais natural do que a que regras ditam. Em Ensaio sobre a cegueira, Saramago, vencedor do Nobel da Literatura de 1988, conta a história a partir de um motorista no sinal que, de uma hora para outra, se percebe vítima de uma cegueira branca. Acontece que ele é o primeiro caso dessa doença, que se espalha rapidamente e os cegos são confinados em um espaço reservado. Na ponte entre a realidade e a fantasia, Ensaio sobre a cegueira tem muito a nos ensinar sobre o tempo em que vivemos, a responsabilidade daqueles que seguem vendo e as relações humanas. 

Autobiografia (José Luís Peixoto)

Segundo Peixoto, a fronteira entre ficção e autobiografia é tênue. Parto disso para te contar que o protagonista dessa obra é um escritor jovem chamado José que se relaciona com um homem de mesmo nome, mas sobrenome Saramago. Metalinguístico, fala do processo de escrita de José, sua dificuldade de se concentrar, seus vícios, seus relacionamentos, suas dívidas. Consegue nos colocar no papel de angústia de seu protagonista e costura capítulos com narradores diversos e excertos de cartas. Nome de destaque na literatura portuguesa, Peixoto traça sua relação com a literatura permeado pela melodiosa combinação de realidade e ficção.

A máquina de fazer espanhóis (Valter Hugo Mãe)

Indico esse porque acho que é um dos melhores para se habituar à escrita de Mãe. Esse, aliás, é um nome artístico: ele nasceu Valter Hugo Lemos, em 1971, em Angola. Mudou-se para Portugal ainda na infância, mais precisamente para Vila do Conde, onde está atualmente devido ao isolamento social. Conhecido por sua escolha estilística de resistir a pontuações como travessões e dois pontos, além de usar estritamente minúsculas em muitos de seus livros, Mãe se propõe a fazer o exercício criativo de abandonar a normalidade culta da escrita e adentrar as possibilidades de um linguajar que se aproxima da oralidade, criando uma espécie de democracia gráfica do uniforme. Afinal, quando falamos não há diferenciação entre maiúsculas de minúsculas. Vencedor do Prêmio Literário José Saramago, Mãe explora temas cotidianos, familiares e de culturas distintas. Nesse livro, explora a história de Antônio Jorge da Silva, um barbeiro que acaba de completar 84 anos. Após o falecimento de sua esposa, ele vai morar em um asilo e, sozinho, se vê ressignificando muitas coisas ao seu redor.

Poesia completa de Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Reúne toda a poesia de Caeiro, o “guardador de rebanhos” de Pessoa. Ligado à natureza, à simplicidade e às sensações, Caeiro tem a linguagem mais simples - o que não significa simplória ou desprovida de complexidade -, o que facilita o mergulho na obra de Pessoa a partir de seus textos. Esse livro é dividido em três partes: O pastor amoroso, O guardador de rebanhos e Poemas inconjuntos

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra (Mia Couto)

Poderia indicar tantos do moçambicano Mia Couto, mas escolhi este porque foi o primeiro que li dele. A obra retrata o retorno de Mariano à sua terra natal para o funeral do avô de mesmo nome. Ele se descobre um desconhecedor da história de sua família e imerge em um mundo de segredos que o tangenciam de alguma forma e se correlacionam com a situação da África como um todo. É em Luar-do-Chão, o rio estoca memórias e a terra somatiza acontecimentos, que Marianinho se analisa enquanto indivíduo e membro da sociedade. 

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