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20/04/2020 | Juliana Cunha

Os 5 livros nacionais que nossa editora adora e indica

Tudo Lifestyle História

O nosso país tem clássicos literários incríveis: de Dom Casmurro, de Machado, a Grande Sertão: Veredas, nossos autores produziram obras que viajam no tempo e espaço - o Brasil, afinal, tem dimensões continentais - e retratam realidades diversas. Particularmente, Capitães da Areia e O Cortiço são alguns de meus prediletos, e acredito piamente que todos devamos mergulhar nessa imensidão literária que o Brasil proporciona. Porém, gostaria hoje de falar sobre alguns livros escritos por autores daqui que me tocaram, para além desses do beabá tradicional. 

A Paixão segundo G.H (Clarice Lispector)

Li esse livro quando estava na faculdade (meu eterno obrigada ao professor Welington Andrade) e foi o que me fez amar Clarice. Traz uma personagem principal - mulher de classe média identificada como G. H. (perceba que a falta de nome cria uma universalidade da personagem: G. H. pode ser qualquer um) que, depois de demitir a empregada, tenta limpar seu quarto e esmaga uma barata na porta. O episódio traz um conflito identitário intenso a partir da interação com a barata que, aqui, representa uma coisa diferente do que a barata n’A Metamorfose, de Kafka. 

Barba ensopada de sangue (Daniel Galera)

Vamos começar pelo fato de que não sabemos o nome do protagonista? Eu acho extremamente meticuloso quando um autor não revela o nome de sua personagem principal. Tido como um dos destaques da nova geração de autores, Daniel Galera atinge essa proeza de forma extremamente delicada: você demora para perceber que não sabe o nome do professor de natação que estrela o romance. Trata-se da história desse homem que, após a morte do pai, vai investigar amores perdidos, sagas familiares mal contadas e intimidades pouco aprofundadas de seu pai e de seu avô em Garopaba, no interior catarinense. Acompanhando pela cadela Beta, ele vê de cara que vai ter que rascunhar os acontecimentos sem pressa, e se envolve na vida cotidiana da cidadela aonde se muda. Envolvido com personagens curiosos e em meio a esse labirinto, ele constrói uma narrativa ritmada, descritiva e instigante. Ah, não espere um livro violento como sugere seu título: Galera não precisa recorrer ao terror para suscitar emoções.

Dois Irmãos (Milton Hatoum)

Vencedora do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2001, esta trama se delineia em torno de dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, e joga luz sobre suas relações entre eles e com outros familiares. Com Manaus como palco, a história retoma identidades, fragmentos do passado e paixões diversas imersas em um drama familiar. Presenteei meu irmão mais novo com ele para falar sobre como fraternidade é algo que se constrói, não que vem dado por uma relação consanguínea. 

Trinta e poucos (Antonio Prata)

Adoro desde sempre o que Antonio Prata escreve em suas colunas na Folha de S.Paulo, mas ter as crônicas compiladas em um livro dá outro tom - de genialidade - a seus escritos. Um mosaico com grandes prosas desse cronista que nos faz viajar por sua vida, da infância à paternidade, e que reafirma que o cotidiano é frutífera fonte de histórias. Em tempo, indico o questionário Proust com o autor feito pela Revista GAMA, novidade do Nexo jornal. 

 Feliz ano velho (Marcelo Rubens Paiva)

Uma das únicas autobiografias que me tocou, foi lançada em 1982 e remonta à história de Marcelo Rubens Paiva. Muito mais do que o episódio que o deixou tetraplégico, a narrativa complexa trama seus sentimentos e vivências durante a juventude. Aborda sensivelmente o desaparecimento de seu pai, Rubens Beyrodt Paiva, deputado federal que foi preso político durante a ditadura militar; e também delineia um retrato fiel do que era ser um jovem de classe média no fim dos anos 70, com relatos recheados igualmente de insegurança e preconceito. Li quando era adolescente e a linguagem coloquial, cheia de gírias de outra época e palavrões de qualquer tempo, amarra com firmeza uma história muitíssimo envolvente

P.S.: Tive uma imensurável dificuldade de fazer essa seleção, então optei pelos primeiros que me vieram à mente. Valem menções honrosas Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, que já indiquei aqui; A vida invisível de Eurídice Gusmão (que aparece melhor na próxima coluna); a trilogia Estação Carandiru, Carcereiros e Prisioneiras, de Drauzio Varella; e muitos mais. Quais os seus preferidos? Me conta lá no Instagram?

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