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29/04/2019 | Lorena Eleutério

3 Mulheres, 3 gerações do Mercado Financeiro para se inspirar

Tudo Lifestyle História

Hoje é Dia do Trabalho e para nós, mulheres, esse dia tem cada vez mais um significado especial. É nele que precisamos nos lembrar das nossas lutas diárias em busca de igualdade, seja exigindo salários mais justos ou mais voz ativa e cargos de liderança. É nesse primeiro de maio também que decidimos contar mais histórias inspiradoras de mulheres que conquistaram o seu lugar ao sol, ou melhor, ao mercado financeiro nesse caso.  Lívia Theodora, Ana Laura Barata e Maria Helena Valio são três power bosses que colocam à prova a competência feminina em mais um setor predominantemente masculino. 

Em entrevistas curtas e dinâmicas, abrimos espaço para elas contarem suas trajetórias, dividirem suas experiências e compartilharem suas dicas valiosas para vencer no ambiente de trabalho, independentemente da idade. 

DO CAMPO AOS NÚMEROS

Paranaense criada em Bauru, interior de São Paulo, a Lívia tem uma história incomum com o mercado financeiro. Isso porque essa não foi a primeira e, diga-se de passagem, nem a segunda opção dela. "Me mudei para São Paulo para estudar Administração e essa escolha já foi uma surpresa para todos porque, desde criança, pratico hipismo rural (Três Tambores) e era dado como certo que cursaria algo relacionado a isso, como Engenharia Agronômica, Medicina Veterinária ou Zootecnia", conta.

Como se não bastasse suas raízes rurais, o destino a levou ainda mais longe da rigidez dos números quando decidiu criar um e-commerce focado em peças de mood equestre, perfeitas para quem praticava o mesmo esporte que ela. O empreendimento quebrou e foi então que uma palestra mudou o mindset da Lí e a jogou no tal mercado financeiro. 

iLovee: Lí, conta mais sobre esse turning point na sua vida.

L.:  No segundo semestre de faculdade, minha loja faliu porque o maior “marketing” dela era eu mesma quando utilizava os produtos durante as competições equestres, o que, naquela altura, eu já não praticava mais por conta da correria do curso. Nesse mesmo período, assisti a uma palestra que me marcou. Era realizada pelo banco Credit Suisse e o palestrante explicou como funcionavam os bancos de investimento. Fiquei fascinada e foi aí que pensei: quero trabalhar com isso. Para aprender, fui atrás de professores da universidade, me aprofundei nos conceitos e busquei vivência entrando para a Liga de Finanças do Mackenzie, onde comecei a estagiar no Banco Santander e, logo depois, consegui outro trabalho em uma gestora de fundos de investimentos, que foi uma ótima escola de mercado financeiro. 

iLovee.: E você sentiu que ser mulher e tão jovem era um desafio a mais na área?

L.: De certa forma, sim, pois existem barreiras invisíveis que não são aplicadas aos homens. O mercado financeiro é intenso e exige características como capacidade analítica e frieza, que naturalmente são classificadas como atributos masculinos. O perfil feminino acaba sendo resumido a dois: se for agressiva e dura, é autoritária demais; se for sensível e delicada, é frágil e não suporta a pressão. Além desta estigma, as mulheres não se veem representadas em cargos de alta gestão, o que é fato não só no mercado financeiro como em qualquer outra indústria. Essa falta de representatividade desestimula e faz com que as mulheres se conformem com seu baixo crescimento. Por fim, existe a conciliação de filhos e família – como disse anteriormente, o mercado é intenso e muitas vezes demanda horas e horas de trabalho. A mulher que atua nesta área tem que estar disposta a se ajustar nesta rotina e a fazer “malabares” para conciliar vida pessoal e profissional. Precisamos acreditar no nosso potencial, nos capacitar e lutar pelo nosso espaço. 

 
iLovee: Lí, se você pudesse - e agora você pode, na verdade - dar três dicas para quem está começando, quais seriam?

L.:  Como profissional, eu diria para ser sempre curiosa, estude e questione; também procure por mentoras que já passaram por esta trajetória, elas irão te ajudar; e comece a praticar o quanto antes. Se estiver no começo da faculdade e não puder estagiar, se envolva com entidades acadêmicas que fomentam o assunto. Agora como investidora pessoa física, que atua em outra área, mas quer realizar investimentos. Primeiro, busque o apoio de profissionais sérios e qualificados, não acredite em milagres e pense no longo prazo.

DESCOMPLICANDO O MERCADO FINANCEIRO

No documento de identidade, Ana Laura Magalhães Barata e no Instagram, ExplicaAna. Foi nas redes sociais que a mineira, que vem da faculdade da Relações Internacionais e sonhava em ser diplomata, percebeu que quanto mais ela entendia de economia, mais fácil ficava o entendimento sobre o mundo em si. E, para compartilhar a sua visão descomplicada de mundo através dos números, ela criou um perfil que, hoje, conversa diretamente com mais de 76 mil pessoas.

 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Ana Laura Magalhães (@explicaana) em

iLovee: Ana, basta acompanhar o seu perfil para ver que você domina o assunto, mas nem sempre foi assim. De onde surgiu o interesse pelo mercado financeiro?

A.L.: Bom, eu sempre gostei de estudar economia e, durante um curto estágio em uma empresa que vendia ativo de lastro em outro ativo financeiro, peguei gosto pela coisa. Decidi sair de Uberlândia, onde morava, para trabalhar com isso em São Paulo.

iLovee: E como você vê a atuação da mulher nessa área? 

A.L.: Acho que o mundo já evoluiu bastante nesse aspecto. Entretanto, é preciso ser honesta e dizer que existe ainda uma diferença de oportunidades, mas não de desempenho. Acredito que o segredo seja focar em ser “bom” independente do gênero e mostrar a sua relevância dentro do setor que você deseja trabalhar. O desafio é manter o foco.

iLovee: Daqui 10 anos, como você enxerga a participação da mulher nesse meio?

A.L.: Sem dúvidas melhor do que estamos hoje. Espero que com mais espaço e, principalmente, mais voz. Precisamos de maiores referências.

DA EXPERIÊNCIA, O WOMEN INVEST

Maria Helena Válio é expert no assunto. Fundadora do Women Invest, ela entrou no mercado fincanceiro sem querer. "Sempre fui irrequieta e, ainda na faculdade, entrei para uma associação de estudantes chamada AIESEC, onde fiz contatos e consegui estágio num banco aqui em São Paulo", relembra, "Após terminar a faculdade, aos 20 anos, me ofereceram um estágio nos Estados Unidos, em um banco também, e topei na hora. Assim foi meu começo nesse mundo."  

De lá para cá, Maria Helena experenciou muita coisa e, na última terça-feira que passou, ela comemorou um mês do Women Invest, seu mais novo projeto que ajuda outras mulheres a entenderem o que é e como funcionam os ivestimentos. 

iLovee: Maria, certamente você tem muita história para contar, mas, em comemoração ao Women Invest, vamos falar sobre ele. Como nasceu a ideia desse projeto?

M.H.: Acredite se quiser, mas o Women Invest nasceu de um grupo do Facebook e de um trabalho escolar do meu filho. No ano passado, ele coordenou uma apresentação na escola cujo tema era o mercado financeiro. Como eu trabalho na área e tenho muitos relacionamentos no meio, o ajudei captando contatos e comentei, em um grupo que participo no Facebook, sobre o assunto. Imediatamente, percebi que havia uma grande interesse feminino em compreender mais sobre esse universo financeiro e assim me veio o modelo do Women Invest na cabeça - assim, às 23h, porque criatividade não escolhe hora para bater. Percebi que não fazia sentido grupos que se dispunham a ensinar superficialmente, mesmo que estivessem falando com pessoas bem sucedidas em suas respectivas áreas, como médicas, arquitetas, decoradoras, empresárias. E eu, com 54 anos, me sinto experiente o suficiente para compartilhar o que sei porque vi que era isso que essas mulheres queriam, aprender não como passivas e indefesas, mas como profissionais feras que são. Afinal, nós gostamos de tirar 10! 

 


Festa de comemoração do Woman Invest

iLovee: E Maria, como uma mulher madura e super atuante, qual você acredita ser o maior desafio da profissão?

M.H: Sem dúvida, a maternidade. O mercado financeiro é majoritariamente masculino e, entre os 30 e 35 anos, um profissional do mercado financeiro está com experiência para ser promovido, transferido, crescer na profissão. Acontece que é nessa hora que vem a maternidade na maioria das vezes. E não adianta negar, a gente acaba reduzindo o ritmo e volta a retomar um tempo depois. Aí enfrentamos a concorrência dos homens, que não pararam, e já estão bem mais sêniors. Isto não é necessariamente um preconceito, nem sacanagem de ninguém, é apenas uma realidade. Penso que o nosso maior desafio é esse. 

iLovee: Para finalizar, o que você pode deixar de mensagem para essas mulheres que estão iniciando nesse mercado e se sentem pressionadas por lidarem com essa maioria masculina?         

M.H: Confie em você porque o espaço da mulher está crescendo, e isso se aplica em todas as áreas. Homens e mulheres estão aprendendo uma nova dinâmica e as redes sociais e suas cobranças por mudanças vieram para ficar. Entendo que a militância pode ser chata, mas alguém tem que fazer isso. Meu filho sempre fala da Margaret Thatcher e acho que deveria ser como ela falava: a pessoa tem que assumir um posto por suas qualidades e não por ser homem ou mulher. O mercado financeiro tem que ter pessoas competentes e nós, como mulheres capacitadas, precisamos ter espaço também.


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