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09/12/2018 | Sofia Stipkovic

Falando sobre sustentabilidade e moda com Mari Villaça

Tudo Moda Lifestyle História

O que é sustentabilidade? Como ela se aplica à moda? E qual é o impacto de ter uma atitude mais sustentável no dia a dia? Para responder essas tantas e tão importantes perguntas, chamamos uma pessoa que sabe como ninguém tirar todas essas questões de letra: nossa - com muito prazer! - nova colunista Mariana Villaça, ativista, ecofeminista, criadora do @muda.moda e fundadora da agência de inovação, UN Moda Sustentável.

Paramos uma quarta-feira de trabalho para sentar com a Mari, conversar, tomar um café e conhecê-la melhor para, então, apresentá-la a vocês. Acompanhe a entrevista abaixo e entenda porquê os textos dela se tornarão um verdadeiro must read neste site a partir desse mês de dezembro:

iLovee: Mari, que prazer tê-la com a gente! Vamos relembrar o começo do seu interesse pela sustentabilidade?

M.: Claro! Bom, então precisamos voltar à Rezende, uma cidade pequena entre São Paulo e Rio de Janeiro e onde nasci e morei boa parte da minha vida. Com 18 anos, me mudei para o Rio para cursar Relações Internacionais, tinha o sonho de trabalhar na ONU. Tive a oportunidade de fazer um intercâmbio na África, me envolvi com causas sociais e descobri um Nobel da Paz, o Mohammed Yunus, e o seu projeto de microcrédito para tirar mulheres em situação de vulnerabilidade da miséria, em Bangladesh. Foi aí que eu resolvi rever o que fazia - na época, lidava com importação e exportação de máquinas - e trabalhar com alguma coisa que realmente fizesse sentido para mim.

iLovee: Uau, Mari, e o que você decidiu fazer?

M.: Me envolvi de cabeça no Yunus, o projeto que comentei, e ajudei a implementar ele aqui no Brasil. Também passei um tempo na Benfeitoria, uma plataforma de financiamento coletivo para projetos de impacto social, e eu achei que estava fazendo minha parte.


iLovee: Mas você já estava! Agora conta pra gente, como a moda entrou na sua vida?

M.: Sim, eu estava, mas ainda tinha muito a ser feito. Em relação a moda, eu sempre me envolvi com ela enquanto consumidora, não cursei nada nessa área nem nunca havia trabalhado com isso. Até que um dia me deparei com o documentário ‘The True Cost’, que mostrava as verdades por trás da indústria da moda e eu fiquei em choque porque o meu armário não traduzia nada do que eu acreditava. Comecei a estudar mais sobre o assunto e vi que tinham muitas coisas ruins, mas também muitas boas.

iLovee: Quais foram essas coisas boas que você descobriu e te motivaram a mergulhar mais nesse universo?

M.: Conheci o slow fashion, o consumo consciente e vi oportunidade de mudança no mundo da moda. Isso me motivou a alugar todas as minhas peças porque se eu simplesmente colocasse à venda minhas roupas, como um brechó, minhas amigas comprariam tudo por conta do valor baixo e não por necessidade de verdade, ou seja, não faria sentido pra mim. Então voltei para Rezende e abri na minha casa um armário coletivo, o Muda Moda.

Quem não conhece a indústria, não sabe de onde vem a peça, como ela foi feita, quem participou desse processo. E tem tanta coisa por trás!

iLovee: Que demais, Mari, e como funciona o armário coletivo?

M.: Eu abri esse armário no segundo andar da minha casa, um espaço pequeno com as roupas e onde eu atendia as pessoas. Queria fazê-las entender melhor o que elas vestem e como até a mais básica das blusinhas brancas não brota do nada, tem um processo enorme por trás da peça. Enfim, rolou uma adesão muito grande ao projeto, para a minha surpresa por ser em uma cidade pequena, e as pessoas começaram a se interessar e alugar as roupas. Vai além da sustentabilidade social e ambiental, é também financeira. Afinal, por que gastar, por exemplo, R$ 200 em um vestido se você pode gastar o mesmo valor e alugar seis peças diferente ao longo do mês?

 

iLovee: Claro, faz muito sentido e faz a moda girar e ser consumida de verdade, né?

M.: Sem dúvidas! Além do aluguel em si, comecei a soltar cápsulas de conteúdo explicando o que é sustentabilidade e como ela se conecta com a moda. Aí bombou! É um conteúdo muito explicativo porque é preciso elucidar o tema para quem não conhece e acredito que a gente precisa extrapolar essa mensagem do consumo consciente, o que significa parar de comprar. É apenas comprar com consciência, saber de onde vem aquele produto, o impacto dele no mundo porque o nosso planeta tem recursos finitos e precisa ser cuidado.

iLovee: Essa mensagem é muito importante de fato, Mari.

M.: É muito. É necessário entender que o consumo desenfreado não é sustentável porque não existe outro planeta. Precisamos parar de consumir assim e começar a desenvolver projetos e economias regenerativas não só na moda como em todas as esferas. As pessoas não são ruins, elas só não sabem que estão fazendo mal pra elas mesmas agindo da maneira que agem. Eu acredito num futuro melhor.

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