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19/01/2019 | Stephany Melo

Moda & Diversidade: Um bate-papo com Michele Simões

Moda Lifestyle História

Vamos fazer um exercício: abra o seu guarda-roupas. Tem aquele blazer que você gosta de usar quando quer estar poderosa na reunião do trabalho, o vestido que te deixa bem relax para aproveitar o final de semana e até aquela peça que ainda jura que gosta, mas continua guardada no fundo da gaveta. Além disso, vira e mexe você vê uma top seleção de tendências por aqui, que resumem toda a rotina de compras a um clique.  Já pensou se a maioria dessas peças não fossem feitas pensando em você?

Foi em um bate-papo com a Michele Simões, estilista, consultora de imagem, cadeirante, criadora do projeto Meu Corpo é Real, do site Viajante Cadeirante e do Fashion Day Inclusivo que captamos como a moda – apesar de incrível e inspiradora – ainda precisa evoluir quando o assunto é diversidade. Check it out:

(Foto: Ariana de Lima e Gabriel Bertoncel/Reprodução)

 

Geminiana daquelas bem questionadoras e inquietas, a Mi se encontrou no universo da moda ainda na infância. Nascida em São Bernardo do Campo, ela cresceu em Rio Claro, estudou em Londrina e trabalhou por menos de um ano com moda até sofrer um acidente que a fez ficar paraplégica.

Eu precisava saber até onde eu poderia ir porque a maior parte das pessoas que falavam que eu não conseguiria nem tinham deficiência.

iLovee: Mi, você tem uma super bagagem profissional e mostrou que consegue realizar o que quiser. Como foi essa trajetória até o momento que começaram a nascer os projetos?  

M.S: Sofri o acidente em 2006 e passei quatro anos sem conseguir sentar. Nesse meio tempo montei uma marca de bolsas, mas só sete anos depois, quando eu já tinha conseguido me reabilitar o suficiente pra conseguir ficar mais tempo na cadeira, fui atrás de realizar o sonho de fazer um intercâmbio. Ali foi a primeira vez que eu senti na pele que pessoas com deficiência não eram vistas pelas empresas como consumidoras em potencial. Todas as vezes que eu buscava informações em agências de intercâmbio e blogs, eu não encontrava.

iLovee: Mas dá pra perceber que isso não foi impeditivo. Qual foi a sua motivação para continuar?

M.S: Eu precisava saber até onde eu poderia ir porque a maior parte das pessoas que falavam que eu não conseguiria nem tinham deficiência. Foi em um intercâmbio de três meses em Boston que eu me reencontrei e nasceu o site Guia do Viajante Cadeirante, onde compartilhei todas as descobertas que fiz na viagem. 

(Foto: Reprodução)

 

iLovee: Que incrível! E o Fashion Day Inclusivo? Como ele nasceu no meio de tudo isso?

M.S: Bom, o Fashion Day Inclusivo surgiu na minha pós-graduação, quando me deparei com uma turma onde a maioria nunca havia estudado algo relacionado a um corpo com deficiência. Minha primeira atitude foi levar a minha cadeira de rodas e convidá-los a passar um dia como cadeirantes. Depois que eu tive essa iniciativa pensei “Por que não fazer isso em relação à moda?” E foi quando idealizei o primeiro Fashion Day Inclusivo. Comecei com a missão de fazer com que essas pessoas tivessem um novo olhar, trabalhando tanto o consumidor com deficiência quanto estudantes e indústria.

iLovee: Estamos apaixonadas pela ideia, mas e na prática? Como acontece o Fashion Day Inclusivo?

M.S: Os alunos vão até hospitais de reabilitação para entender as dificuldades que essas pessoas têm para se vestir e eu reúno um time de marcas para nos apoiar com produtos. A maioria das pacientes que atendemos se tornou deficiente ao longo da vida, então existe um momento pra entender que aquele corpo é diferente do antigo, mas nem por isso ele é feio ou inferior. Então uma vez por ano, no dia do evento, levamos uma apresentação construída com base em técnicas de consultoria de moda, pra tentar adequar o corpo às peças que já existem no mercado.

iLovee: Nossa, Mi, é um trabalho muito lindo. Nessa época, além do Fashion Day, você já tinha um site e um projeto de inclusão, o Meu Corpo é Real. Qual foi a sua motivação para criá-lo?

M.S: Foi colocar essas pessoas pra falar. As pessoas com deficiência têm muitos porta-vozes, mas a voz ativa delas era praticamente nula. Eu acredito muito no poder da comunicação e foi pensando nisso que criei um documentário para contar as histórias delas, sem violino de fundo.


Curiosas que somos, fomos atrás desse documentário. Com um conceito fantasioso, o roteiro caminha pela história de cada personagem, ironizando padrões e derrubando clichês de superação e piedade. Entre essas pessoas está a Rafaela, que era bailarina e perdeu a perna. "Na história original o soldadinho de chumbo perde a perna e se apaixona pela bailarina, mas na nossa foto é ela quem a perde e ele é cadeirante", conta. Dê o play para saber mais:


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