X

Tudo o que você mais ama

Assine para receber muitas novidades,
promos, dicas e achados do fantástico
universo online. E claro,
tudo isso com muita inspiração.

X
26/11/2018 | Tissyana Guimarães

Descubra qual foi o tema do papo mensal com a Tissy

Tudo Lifestyle História

Nessa coluna, você sabe: conversamos com a psicóloga e mente pensante Tissyana Guimarães. A Tissy já passou por empresas como a agência de pesquisas Box 1824, hoje comanda seu próprio consultório na @acasaconvida e agora tem voz mensalmente aqui. Fique agora com as palavras dela… 

Chega de política?

Sim, muitos estão cansados desse assunto. As eleições já passaram, os memes lentamente vão diminuindo, outros assuntos voltaram a aparecer então para quê voltar nisso? E para quê voltar nisso aqui? O que isso tem a ver com psicologia?

Bom, primeiro porque mais do que cansados, muitos ficaram machucados nos últimos tempos. Este tem sido, sem dúvida, um dos assuntos mais comentados no consultório. Além disso, eu junto com o Oré Coletivo Solidário - um coletivo de psicólogos que trabalha a partir da economia solidária - realizamos grupos com universitários sobre este tema. Foi impressionante presenciar o sofrimento que a política gerou. A angústia, o medo, a raiva, o pânico estiveram vivos nas falas e nos corpos das pessoas.

Não apenas as discussões políticas machucaram, o que doeu mesmo foram as quebras de vínculos com pessoas e lugares que amamos. Foi a dificuldade de diálogo, o sentimento de solidão, de desesperança, de medo.

Vamos falar sobre política, um assunto atual e bastante polêmico - mas que precisa ser debatido.

Foto por Ryoji Iwata via Unsplash

Este cenário agravou doenças mentais. Pessoas que haviam parado de tomar certos medicamentos se viram precisando novamente. A busca por profissionais que auxiliem nos sintomas continua crescendo. Há inúmeros relatos de pesadelos, isso demonstra que nosso sofrimento já entrou nas nossas fantasias. Não consigo deixar de imaginar a cena de um tsunami que passou e deixou muitos estragos. Aquela sensação de destruição e desilusão, sem saber por onde começar. Falar de política agora parece reviver, de diferentes maneiras, os destroços de um desastre.

Esse tempo precisa acontecer para que então os sentimentos possam mudar. É interessante observar como, mesmo sentindo tudo isso de maneira tão individual, ao falarmos com outros vemos tantas semelhanças. Como inclusive alguns conseguem descrever melhor que nós mesmos o que sentimos. Isso porque mesmo se manifestando de forma singular - eu tenho medo por conta da minha orientação sexual, ou eu tenho raiva por não entender a posição do meu filho, ou mesmo, eu fiquei magoado com a postura da minha igreja sobre o assunto - estes afetos estão relacionados ao nosso ambiente. É o que diz este texto do Razão Inadequada, chamado Afetos (bio)Políticos, segue um trecho:

Agimos como agimos em consequência de uma instauração de afetos, eles circulam e nos moldam, canalizam o corpo, lhe dão um curso. Enquanto formos afetados da mesma maneira, agiremos e repetiremos sempre as mesmas coisas.

Muito aconteceu, é verdade. Mas também muito se cresceu. Nunca nos aproximamos tanto de como funciona a política no brasil. Quem são os senadores e deputados, o que fazem, pra que existem… A nossa constituição, nunca ela foi tão citada e defendida. Ministérios, para que servem e qual a importância deles?  

Vamos falar sobre política, um assunto atual e bastante polêmico - mas que precisa ser debatido.

Photo by Kyle Glenn on Unsplash

Ficamos de olho em tudo! Passamos a seguir nossos candidatos nas redes sociais, votamos em plebiscitos online, participamos de aulas, debates, vídeo-aulas sobre política. Tudo isso aconteceu, e o que se entende de política agora é, geralmente, bem diferente de antes destas eleições. Fomos bombardeados de informações mas também convidados a desconfiar do que se viu. Algo muda em nós quando passamos a ter uma postura ativa de problematizar uma notícia. A desinformação apareceu como uma nova palavra e o antídoto foi assumir uma postura crítica frente ao que antes seria engolido despercebido.

Fomos também intimados e definirmos nossas posições ideologias. Ter tido que escolher entre extremos - mesmo que não nos representasse -  definitivamente nos fez refletir e pesar o que realmente importa. Se pudemos passar pela névoa dos ataques violentos, chegamos a um local muito interessante de reflexão das nossas crenças atuais. Quais são meus valores? Quais são minhas crenças? Por que será que eu acredito nisso?

Vamos falar sobre política, um assunto atual e bastante polêmico - mas que precisa ser debatido.

Photo by rawpixel on Unsplash

Existe uma oportunidade enorme de se implicar. Se implicar significa antes se perceber como sujeito, porque se é como se é, porque se pensa como se pensa, porque se age como se age. Então perceber que se tudo isso está acontecendo e me afetando, existe uma participação minha. Eu crio esta realidade de alguma maneira, nas minhas ações, na minha realidade, na minha microesfera. Portanto qual impacto eu desejo ter a partir de agora?

Sei que por algum tempo ainda dê medo do mar, e cada onda pode nos remeter a tudo que passou. Mas um dia, vamos conseguir voltar a nadar.


Para ler mais:

https://razaoinadequada.com/fundamentos/micropolitica/afetos-biopoliticos/

Para ver mais:  

Mulheres Radicais, exposição na Pinacoteca.

explorar

Compre

Em destaque

assine nossa newsletter

Voltar ao topo Voltar ao topo